Get up!/stand up!/get up for your rights...
Uma antiga lição que vale sempre rever, sobretudo nos versos cadenciados pelo reggae de Marley, ritmo que pôs a Jamaica no mapa múndi cultural naqueles agitados anos '70 do século passado...
Caminhar pelas ruas da Cidade Velha - com os ecos da batida forte da banda Wailers, que por muitos anos acompanhou o mestre jamaicano do reggae -, contemplando fachadas azulejadas em estilo português, torres de igrejas, sobradões em decomposição em tons esmaecidos de vermelho, verde, amarelo e azul, em contraste com outros - em recuperação -, de tons fortes, em vermelho, verde, azul, laranja e amarelo. A água encapelada na maré cheia na Baía do Guajará, por trás do Solar da Beira, brilhando, brilhando contra um céu de turmalina, mesclado do cinza-chumbo de nuvens carregadas, com rasgos afogueados em tons de vermelho-alaranjado, nas derradeiras manifestações solares anunciando o cair da noite estrelada...
Ah!, esta cidade nunca mais será a mesma para mim, depois que me foi roubada por algozes usurpadores da paz alheia, cujo bem maior que me foi tirado foi essa alegria das andanças descompromissadas de tempo e de preocupações, de lugares e de horários. Agora, mais que nunca, é preciso relembrar a batida forte de Marley: Get up!, stand up!, stand up for your rights...
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Iron Jawed Angels
O título poderia ser traduzido livremente como "Anjos com Presas de Aço". É um desses filmes que te pegam de cara: meio da fita (zapeando na tevê paga), fim da madrugada, dia clareando, e lá está você, atento, olhando, curtindo, torcendo, aprendendo com a mensagem, se deliciando com as interpretações...Sobretudo uma aparição fugaz de Anjelica Houston...
A história do filme é a luta das mulheres norte-americanas pelo direito de votar. Elas são as sufragistas. São ameaçadas de prisão, vão presas, são espancadas, não têm direito a advogado, nem ao famoso telefonema - alardeado em toda e qualquer produção hollywwodiana -, enquanto o governo de Thomas Woodrow Wilson declara guerra à Alemanha alegando defender a democracia, os direitos civis dos cidadãos livres etc. e tal...As mulheres alegam que o discurso de Wilson para o público externo não vale para o interno, e mandam um comunicado à imprensa dizendo que "na cadeia ou em casa, a mulher americana não tem liberdade". Nos comitês femininos, da primeira década do século passado, elas argumentam que, "até os negros", depois da Guerra de Secessão (American Civil War), conseguiram o direito de votar, negado às mulheres.
A líder do movimento é Alice Paul (que lutou pelos direitos civis até morrer, em 1977), encarnada pela magistral atriz Hilary Swank. Em seus protestos, Alice Paul discursava utilizando frases do próprio presidente Wilson que, em outras ocasiões, defendia exatamente o posicionamento que elas estavam assumindo e, por causa disso, eram presas e espancadas. Numa das cenas mais tocantes de tais manifestações, ela pegava uma folha de papel, lia declarações de Wilson, e jogava no fogo que ardia dentro de um latão...
O filme de Katja von Garnier indica que o direito ao voto foi garantido à mulher norte-americana em agosto de 1920. A luta continua...
A história do filme é a luta das mulheres norte-americanas pelo direito de votar. Elas são as sufragistas. São ameaçadas de prisão, vão presas, são espancadas, não têm direito a advogado, nem ao famoso telefonema - alardeado em toda e qualquer produção hollywwodiana -, enquanto o governo de Thomas Woodrow Wilson declara guerra à Alemanha alegando defender a democracia, os direitos civis dos cidadãos livres etc. e tal...As mulheres alegam que o discurso de Wilson para o público externo não vale para o interno, e mandam um comunicado à imprensa dizendo que "na cadeia ou em casa, a mulher americana não tem liberdade". Nos comitês femininos, da primeira década do século passado, elas argumentam que, "até os negros", depois da Guerra de Secessão (American Civil War), conseguiram o direito de votar, negado às mulheres.
A líder do movimento é Alice Paul (que lutou pelos direitos civis até morrer, em 1977), encarnada pela magistral atriz Hilary Swank. Em seus protestos, Alice Paul discursava utilizando frases do próprio presidente Wilson que, em outras ocasiões, defendia exatamente o posicionamento que elas estavam assumindo e, por causa disso, eram presas e espancadas. Numa das cenas mais tocantes de tais manifestações, ela pegava uma folha de papel, lia declarações de Wilson, e jogava no fogo que ardia dentro de um latão...
O filme de Katja von Garnier indica que o direito ao voto foi garantido à mulher norte-americana em agosto de 1920. A luta continua...
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Sean see Sun
Spielberg mostrou num filme - O Império do Sol - como a mente humana viaja olhando para o céu. Ou para o Sol. O garotinho, carente de tudo, olhava para o céu, na precisa hora do sobrevôo dos aviões norte-americanos que chegavam para reverter a situação, e exclamava: "cadilacs do céu...", num momento de êxtase, em que tudo o mais parecia ter pouca ou nenhuma significância. Pode-se pensar que é o mesmo que imaginar onde é que o Sol pode estar. Por aqui dizemos ´o´ norte. Meu norte está em tal ou qual lugar. Siga seu norte, costuma-se dizer às pessoas que, às vezes, parecem perdidas, sem rumo...Deve ser por isso mesmo que uma bússola sempre indique o Norte, o rumo que possibilite a percepção de onde se está.
Pois é, pensando nisso, imaginei que o pequeno Sean, objeto de disputa há dois mil dias - sem mãe, morta há mais ou menos 500 dias -, deve estar pensando na vida boa que poderá levar em New Jersey, a partir de agora, e nem mais se lembrar da boa vida que levava no Rio de Janeiro, até a véspera do Natal. Que data! O pai, David, disse que a família renasce com a chegada (realmente, a volta) de Sean. E Sean, que [ao caminhar com a família carioca] só fazia chorar, abriu um largo sorriso ao correr para abraçar o pai, de quem fora separado há mais de cinco anos...
Renascimento. Natal é nascimento. Mas, quando está de volta algo como uma vida que se perdeu, é renascimento. O pai está certo na afirmação. E deve ter tido o dedo do Pai, que o seu único filho deu ao mundo, cuja data é celebrada como Natal em todos os países, menos um...
Afinal, Sean vê Sol. Há um brilho no céu, no olhar das pessoas. Do pai, resgatando o filho que lhe foi arrancado do convívio. Acabou a choradeira. "Acabou chorare", diriam os Novos Baianos em exclusivíssima canção dos anos ´70 do século passado...
Na verdade, uma história como essa só acontece porque existe a burocracia. O império do gabinete, dos burocratas. Nada mais natural do que deixar com seu pai o filho que perdeu a mãe. Se pai e filho não estão juntos porque não querem, ok, não deve existir obrigatoriedade nenhuma de que assim o façam. Mas, quando estão separados contra a vontade de ambos, é dever do Estado promover a aproximação. Se esse reencontro demora a acontecer, certamente o é por determinação de um estado de coisas ditadas por causídicos, situações inalcansáveis para o cidadão comum... Afinal, quanto mais demora, mais ganham os doutores...
Pois é, pensando nisso, imaginei que o pequeno Sean, objeto de disputa há dois mil dias - sem mãe, morta há mais ou menos 500 dias -, deve estar pensando na vida boa que poderá levar em New Jersey, a partir de agora, e nem mais se lembrar da boa vida que levava no Rio de Janeiro, até a véspera do Natal. Que data! O pai, David, disse que a família renasce com a chegada (realmente, a volta) de Sean. E Sean, que [ao caminhar com a família carioca] só fazia chorar, abriu um largo sorriso ao correr para abraçar o pai, de quem fora separado há mais de cinco anos...
Renascimento. Natal é nascimento. Mas, quando está de volta algo como uma vida que se perdeu, é renascimento. O pai está certo na afirmação. E deve ter tido o dedo do Pai, que o seu único filho deu ao mundo, cuja data é celebrada como Natal em todos os países, menos um...
Afinal, Sean vê Sol. Há um brilho no céu, no olhar das pessoas. Do pai, resgatando o filho que lhe foi arrancado do convívio. Acabou a choradeira. "Acabou chorare", diriam os Novos Baianos em exclusivíssima canção dos anos ´70 do século passado...
Na verdade, uma história como essa só acontece porque existe a burocracia. O império do gabinete, dos burocratas. Nada mais natural do que deixar com seu pai o filho que perdeu a mãe. Se pai e filho não estão juntos porque não querem, ok, não deve existir obrigatoriedade nenhuma de que assim o façam. Mas, quando estão separados contra a vontade de ambos, é dever do Estado promover a aproximação. Se esse reencontro demora a acontecer, certamente o é por determinação de um estado de coisas ditadas por causídicos, situações inalcansáveis para o cidadão comum... Afinal, quanto mais demora, mais ganham os doutores...
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Eu, você, o outro: Nós?
Acordei de um sonho estranho. Revelador. Tentava eu atravessar uma grande avenida cuja confluência envolvia o cruzamento de veículos e pedestres de várias direções, exigindo, portanto, redobrada atenção de cada um dos participantes dessa travessia necessária. Enquanto aguardava a abertura do sinal, veio-me à mente a história relatada por Hermann Hesse num de seus livros (Viagem ao Oriente, se não me falha a memória), em que mais ou menos conta o seguinte: um velho barqueiro oriental é reconhecido por um dos passageiros no momento em que faz a travessia de um rio numa remota região indiana. O ocidental o interpela, indagando as razões de ele ter abandonado a vida de fausto que então levava quando o conheceu no Ocidente. O velho não se deu por achado e nada respondeu. Seguiu firme no leme da embarcação, olhos fixos no infinito, do outro lado da margem que deveria alcançar. Impaciente, diante da chegada iminente, o ocidental insistiu em saber. O velho sorriu. Aportou, olhou para seu interlocutor e recomendou que se sentasse num banquinho sob uma grande árvore. Passou a relatar etapas de sua vida na juventude exagerada que levara, experimentando tudo que o mundo material lhe pudesse proporcionar, no afã de saciar seu espírito exigente de aventuras e de experiências extraordinárias. O tempo passou. E com esse passar ele percebeu que a passagem é o melhor de tudo. As pessoas estão loucamente apressadas em passar de um estágio a outro, que, por vezes, não chegam a perceber a beleza da passagem, e que ele mesmo perdera tempo demais em suas buscas, que acabaram se revelando vazias, razão pela qual ele, agora, encontrara a tranqüilidade, enquanto observava os afoitos rostos de seus eventuais companheiros de viagem, em buscas frenéticas sobre o que poderiam encontrar do outro lado, sem se dar conta das belezas oferecidas pelas ondulantes águas do rio, do frescor do vento no rosto, da mudança de tom no céu durante o balanço da embarcação. Da alegria de partir de um ponto e chegar seguro a outro, utilizando uma velha embarcação da qual ninguém se lembrou de pedir garantias... Nesse exato momento – pondera o velho – ele se deliciava com o prazer de lhes proporcionar uma travessia suave e tranqüila.
O sinal abriu. Apressei-me em avançar, como as outras pessoas a meu lado. Mas, de algum ponto que nos escapou surgiram carros e motos em grande zoada, obrigando-nos a voltar rapidamente para a calçada, enquanto ouvíamos uma caçoada do bando que passava – Mas vocês, hein?
Finalmente conseguimos chegar ao outro lado. E lá estava, na calçada, com sua moto, um dos caçoadores. Sem capacete, retirando encomendas da moto, assustou-se quando dele nos aproximamos. Sorriu nervosamente, amarelo, e fez menção de desculpar-se – Nada disso é preciso, disse-lhe uma velhinha a meu lado. Você, agora, é um de nós.
Quem são os outros?
O sinal abriu. Apressei-me em avançar, como as outras pessoas a meu lado. Mas, de algum ponto que nos escapou surgiram carros e motos em grande zoada, obrigando-nos a voltar rapidamente para a calçada, enquanto ouvíamos uma caçoada do bando que passava – Mas vocês, hein?
Finalmente conseguimos chegar ao outro lado. E lá estava, na calçada, com sua moto, um dos caçoadores. Sem capacete, retirando encomendas da moto, assustou-se quando dele nos aproximamos. Sorriu nervosamente, amarelo, e fez menção de desculpar-se – Nada disso é preciso, disse-lhe uma velhinha a meu lado. Você, agora, é um de nós.
Quem são os outros?
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Lula, Dona Canô, e o destemperado no Programa do Jô
Caetano Veloso disse que Lula fala errado. Nenhuma novidade. Criticou também o modo como apresenta o governo, dizendo que antes [com FHC] era melhor. Novidade nenhuma, partindo dele (compositor, provocador, estudioso de filosofia, sociologia e adepto de modismos outros, além de narcisista contumaz, autor do epíteto “A Falha de S. Paulo”, num momento em que se indispôs com algo publicado pela “Folha”, diário paulistano) . A novidade foi que Dona Canô, mãe do músico, disse a Lula, por telefone, que não gostou das declarações do filho, e que delas discordava. Importante notar que a crítica de Caetano a Lula foi publicada num texto que o baiano escreveu em artigo na Folha de S. Paulo, por ocasião da morte do antropólogo francês Claude Lévi-Srauss, a quem faz referência numa de suas composições.
O resumo da história da conversa entre Lula e Dona Canô saiu na Folha de domingo, 22 de novembro de 2009 (p. C8). Sob o almodovariano título “Tudo sobre minha mãe”, o texto diz: “Lula e Dona Canô, 102, mãe de Caetano Veloso, se falaram por telefone nesta semana, depois de ela ter discordado de declarações do filho sobre o presidente...”. Ok. Quem sabe ler sabe entender. E quem não sabe? Ou não leu?
Quem só assistiu ao Programa do Jô de segunda-feira, 23 de novembro, além de ver um novo e ótimo grupo musical, ficou com outra impressão do episódio da crítica a Lula. Havia lá um cidadão sendo entrevistado que estava mais disposto a fazer discurso. Ele começou com uma destemperada declaração contra o governo e a diplomacia brasileira por causa da visita do presidente do Irã a Brasília. Pregava o isolamento total, o totalitarismo, chegando quase a babar. Inicialmente (e surpreendentemente) Jô parecia anestesiado diante do discurso do cidadão a quem ele chamara como sendo um “jornalista polêmico” – melhor se tivesse dito panfletário – e manifestou certo desconforto ao interferir, o que conseguiu a duras penas, o que convenhamos, não é comum em seu programa. Disse que era preciso que falassem do assunto sobre o qual ele havia sido convidado para o programa. O cidadão consentiu. Assoou o nariz, disse que não estava irritado (Jô disse: “tá sim, tá sim”), e continuou, sem dar vez ao Jô. Atacou o governo por pretender controlar a imprensa, como na ditadura. Jô interveio e disse que, naquele tempo, houve censura etc. e tal. O cidadão não se deu por achado, e disse claramente que, naquele tempo a imprensa não fez o que deveria ter feito (“imprensa tem que ser contra o governo”), pois o que existia era uma continuidade do que vinha da era Vargas, com quem Samuel Wainer era mancomunado e outros jornalistas com outros governantes. Disse mais: “nós, depois da ditadura, fizemos uma imprensa profissional (?). Agora, cada um tem sua opinião, sua preferência, tudo muito claro”. E arrematou: “o Lula não gosta de crítica. O Caetano criticou Lula e ele [Lula] ligou pra mãe dele [Caetano]”.
Aí o cidadão saiu do tom de vez, ficou de pé, instou a platéia e bradou: “Cuidado, se alguém aí criticar o Lula, ele liga pra tua mãe”. Pois é, nessa altura a cara do Jô dava aquela impressão de quem está pensando: quem foi na produção que chamou esse cara? ... Coisas de um programa ao vivo, em que um cidadão mal intencionado se utiliza do espaço riquíssimo para alardear opiniões sob encomenda. Pelo que se lê do que está escrito na Folha, a questão não foi essa. Logo, o cidadão distorceu. Além disso, deveria citar outro governante, José Serra. Este, quando não gosta do que escrevem/falam sobre ele, liga para a redação do jornal, revista, tevê, rádio, e pede a cabeça do autor da reportagem, quiçá também do editor... Não deve ser o caso desse cidadão, pois deixou claro que, de alguns governantes, ele fala bem.
Prefiro ficar com Millôr Fernandes, para quem imprensa é, sempre, oposição. Fora disso, “é armazém de secos e molhados”.
O resumo da história da conversa entre Lula e Dona Canô saiu na Folha de domingo, 22 de novembro de 2009 (p. C8). Sob o almodovariano título “Tudo sobre minha mãe”, o texto diz: “Lula e Dona Canô, 102, mãe de Caetano Veloso, se falaram por telefone nesta semana, depois de ela ter discordado de declarações do filho sobre o presidente...”. Ok. Quem sabe ler sabe entender. E quem não sabe? Ou não leu?
Quem só assistiu ao Programa do Jô de segunda-feira, 23 de novembro, além de ver um novo e ótimo grupo musical, ficou com outra impressão do episódio da crítica a Lula. Havia lá um cidadão sendo entrevistado que estava mais disposto a fazer discurso. Ele começou com uma destemperada declaração contra o governo e a diplomacia brasileira por causa da visita do presidente do Irã a Brasília. Pregava o isolamento total, o totalitarismo, chegando quase a babar. Inicialmente (e surpreendentemente) Jô parecia anestesiado diante do discurso do cidadão a quem ele chamara como sendo um “jornalista polêmico” – melhor se tivesse dito panfletário – e manifestou certo desconforto ao interferir, o que conseguiu a duras penas, o que convenhamos, não é comum em seu programa. Disse que era preciso que falassem do assunto sobre o qual ele havia sido convidado para o programa. O cidadão consentiu. Assoou o nariz, disse que não estava irritado (Jô disse: “tá sim, tá sim”), e continuou, sem dar vez ao Jô. Atacou o governo por pretender controlar a imprensa, como na ditadura. Jô interveio e disse que, naquele tempo, houve censura etc. e tal. O cidadão não se deu por achado, e disse claramente que, naquele tempo a imprensa não fez o que deveria ter feito (“imprensa tem que ser contra o governo”), pois o que existia era uma continuidade do que vinha da era Vargas, com quem Samuel Wainer era mancomunado e outros jornalistas com outros governantes. Disse mais: “nós, depois da ditadura, fizemos uma imprensa profissional (?). Agora, cada um tem sua opinião, sua preferência, tudo muito claro”. E arrematou: “o Lula não gosta de crítica. O Caetano criticou Lula e ele [Lula] ligou pra mãe dele [Caetano]”.
Aí o cidadão saiu do tom de vez, ficou de pé, instou a platéia e bradou: “Cuidado, se alguém aí criticar o Lula, ele liga pra tua mãe”. Pois é, nessa altura a cara do Jô dava aquela impressão de quem está pensando: quem foi na produção que chamou esse cara? ... Coisas de um programa ao vivo, em que um cidadão mal intencionado se utiliza do espaço riquíssimo para alardear opiniões sob encomenda. Pelo que se lê do que está escrito na Folha, a questão não foi essa. Logo, o cidadão distorceu. Além disso, deveria citar outro governante, José Serra. Este, quando não gosta do que escrevem/falam sobre ele, liga para a redação do jornal, revista, tevê, rádio, e pede a cabeça do autor da reportagem, quiçá também do editor... Não deve ser o caso desse cidadão, pois deixou claro que, de alguns governantes, ele fala bem.
Prefiro ficar com Millôr Fernandes, para quem imprensa é, sempre, oposição. Fora disso, “é armazém de secos e molhados”.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
O Vírus e sua utilidade
Ele não pede licença. Instala-se e, pronto. Tá feito o estrago. Toda uma gama de informação a respeito de como se dá tal instalação deixa muito a desejar se o cara não for um interessado estudioso dos detalhes de membranas, envelopes, ácido ribonucléico e outros que tais... Agora, tem um brasileiro que decidiu demonstrar como se deu (se dá) “A História da Humanidade Contada pelo Vírus”. O livro é de autoria do médico infectologista Stefan Cunha Ujvari (Editora Contexto, 2008), que conseguiu trazer a genética, definitivamente, para a área das ciências do homem. Miscigenação, conflitos, êxodos, fortalecimento e enfraquecimento de povos, enfim, o nome do livro resume tudo isso, mas sob a inesperada visão do vírus.
Pois é esse talzinho aí me pegou. Segundo a ótica especializada de quem fez a análise da [minha] situação, ele já tava instalado, “adormecido”, só esperando o melhor momento pra entrar em ação. Esse momento é descrito como baixa de resistência. Então, o bicho não tava dormindo coisa nenhuma. Tava é muito do esperto esperando o momento certo de entrar em ação. Penso até que ele deve ser discípulo do Sun Tzu (A Arte da Guerra), que recomenda exatamente isso aos soldados que querem vencer uma batalha: esperar o momento exato de uma certa fraqueza do adversário.
Conta-se que o primeiro vírus da influenza chegou ao Brasil com a República, em 1889. Teria vindo num navio que trouxe mercadorias de Hamburgo, com um exemplar do vírus russo a bordo. Depois, em 1918, com a famosa febre espanhola, mais tarde com a asiática, a de Hong Kong, a aviária, a suína – também chamada de mexicana – tudo porque é preciso identificar o mal e a sua origem. Mas muito disso pode ser história mal contada ou intencionalmente fabricada. Pois se é verdade que muito do que se escreve é feito com muita pesquisa [como no caso do dr. Ujvari que fez extenso trabalho consultando mais de quatro centenas de pesquisadores internacionais], há também muito jogo de interesse e sobretudo, de escapatórias. Pois não pega bem para uma potência mundial ver seu nome associado a um mal que dizima a humanidade sem piedade. Assim, se aconteceu num território específico, mas pode-se dar um ´jeitinho´ pra atravessar a fronteira e alardear que ´foi do lado de lá que começou´...
A famosa gripe espanhola que dizimou 50 milhões de pessoas (número ainda em discussão, que gira entre 30 milhões e cem milhões de pessoas), não seria espanhola coisa nenhuma. A origem do nome teria se dado em razão de ter sido a Espanha o país que identificou e tipificou o vírus. Daí... O que se diz agora é que, “não se sabe ao certo se a origem do vírus teria sido os Estados Unidos da América ou a China”, mas o mal ficou conhecido como “epidemia espanhola”.
Tem um livro de uma jornalista norte-americana, Gina Kalek, que se debruçou sobre o tema e escreveu “Gripe: A História da Pandemia de 1918”. Pode ser interessante, quase um século depois...
E, há um quarto de século, o vírus migrou da biologia para a tecnologia, atingindo mortalmente as máquinas ditas infalíveis. A exemplo do que acontece na biologia, que um novo vírus vem sempre associado a um laboratório específico que tem um remédio ´x´ e já está desenvolvendo a vacina ´y´, também com o surgimento do primeiro vírus de computador, quando quase nada se entendia do que estava acontecendo, aparecia o nome de dois irmãos, com telefone e tudo o mais, para ´qualquer serviço de reparo para recuperar máquinas danificadas´...
Fértil terreno de pesquisa.
Ainda mais quando se pensa que a varíola, dada como extinta, pode ser acionada a qualquer momento, pois boas cepas do vírus "estão muito bem guardadas" em laboratórios nos Estados Unidos e na Sibéria. Dois locais até bem pouco tempo em ferrenha disputa pela hegemonia mundial...
Pois é esse talzinho aí me pegou. Segundo a ótica especializada de quem fez a análise da [minha] situação, ele já tava instalado, “adormecido”, só esperando o melhor momento pra entrar em ação. Esse momento é descrito como baixa de resistência. Então, o bicho não tava dormindo coisa nenhuma. Tava é muito do esperto esperando o momento certo de entrar em ação. Penso até que ele deve ser discípulo do Sun Tzu (A Arte da Guerra), que recomenda exatamente isso aos soldados que querem vencer uma batalha: esperar o momento exato de uma certa fraqueza do adversário.
Conta-se que o primeiro vírus da influenza chegou ao Brasil com a República, em 1889. Teria vindo num navio que trouxe mercadorias de Hamburgo, com um exemplar do vírus russo a bordo. Depois, em 1918, com a famosa febre espanhola, mais tarde com a asiática, a de Hong Kong, a aviária, a suína – também chamada de mexicana – tudo porque é preciso identificar o mal e a sua origem. Mas muito disso pode ser história mal contada ou intencionalmente fabricada. Pois se é verdade que muito do que se escreve é feito com muita pesquisa [como no caso do dr. Ujvari que fez extenso trabalho consultando mais de quatro centenas de pesquisadores internacionais], há também muito jogo de interesse e sobretudo, de escapatórias. Pois não pega bem para uma potência mundial ver seu nome associado a um mal que dizima a humanidade sem piedade. Assim, se aconteceu num território específico, mas pode-se dar um ´jeitinho´ pra atravessar a fronteira e alardear que ´foi do lado de lá que começou´...
A famosa gripe espanhola que dizimou 50 milhões de pessoas (número ainda em discussão, que gira entre 30 milhões e cem milhões de pessoas), não seria espanhola coisa nenhuma. A origem do nome teria se dado em razão de ter sido a Espanha o país que identificou e tipificou o vírus. Daí... O que se diz agora é que, “não se sabe ao certo se a origem do vírus teria sido os Estados Unidos da América ou a China”, mas o mal ficou conhecido como “epidemia espanhola”.
Tem um livro de uma jornalista norte-americana, Gina Kalek, que se debruçou sobre o tema e escreveu “Gripe: A História da Pandemia de 1918”. Pode ser interessante, quase um século depois...
E, há um quarto de século, o vírus migrou da biologia para a tecnologia, atingindo mortalmente as máquinas ditas infalíveis. A exemplo do que acontece na biologia, que um novo vírus vem sempre associado a um laboratório específico que tem um remédio ´x´ e já está desenvolvendo a vacina ´y´, também com o surgimento do primeiro vírus de computador, quando quase nada se entendia do que estava acontecendo, aparecia o nome de dois irmãos, com telefone e tudo o mais, para ´qualquer serviço de reparo para recuperar máquinas danificadas´...
Fértil terreno de pesquisa.
Ainda mais quando se pensa que a varíola, dada como extinta, pode ser acionada a qualquer momento, pois boas cepas do vírus "estão muito bem guardadas" em laboratórios nos Estados Unidos e na Sibéria. Dois locais até bem pouco tempo em ferrenha disputa pela hegemonia mundial...
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
205, 203, 204...uma olhadinha nos telejornais
O dia era da Bandeira, 19 de novembro, dedicado ao símbolo nacional. Mas quem deu bandeira mesmo foi o jornalismo da Globo: no JG, 205; no BDBR, 203; no GE, 205. A referência numérica diz respeito à quantidade de dias que faltam para o início da Copa do Mundo de Futebol, a ser realizada ano que vem, em solo africano. No JG (Jornal da Globo, no ar na madrugada de 5ª feira, dia 19), Cristiane Pelajo disse: "A duzentos e cinco dias da Copa do Mundo são conhecidas as trinta e duas seleções que participarão do torneio na África do Sul". No BDBR (Bom Dia Brasil, apresentado na manhã de 5ª feira, dia 19), Renata Vasconcellos leu um texto parecido com o do JG, em ordem invertida: "Conhecidas as trinta e duas seleções que vão participar da Copa do Mundo, daqui a duzentos e três dias". Já no GE (Globo Esporte, no ar na tarde de 5ª feira, 19), Glenda Koslowski foi firme: "A duzentos e quatro dias da Copa..." O telespectador dos três noticiosos ficou com uma certeza: a Copa do Mundo será na África do Sul e dela participarão 32 seleções. Quanto aos dias faltantes...melhor consultar o calendário.
E agora que virou moda os apresentadores de telejornais darem ´toque´ ou mesmo ´advertência´ ao telespectador, difícil chegar ao fim de uma notícia em que não venha um desses ´toques´. Foi assim no JH (Jornal Hoje dessa mesma 5ª feira). Depois de uma reportagem com adolescentes "que pagam mico" diante de certas atitudes dos pais [que revelariam que os pais estão fora de moda], a apresentadora Sandra Annemberg mostrou a luz no fim do túnel, e sapecou: "É bom lembrar que esses jovens, adolescentes agora, serão pais e mães no futuro, e vão enfrentar esse problema".
Oooh!!!, que revelação...
"Ô Cride, fala pra mãe, que a televisão me deixou burro, muito burro demais..." diz o refrão de um hit dos Titãs, lembrando um personagem criado pelo humorista Ronald Golias. Ele, Golias, num programa de tevê, sempre que ia dizer alguma besteira lascava o bordão: "Ô Cride, fala pra mãe..."
Pois é: a prepotência de quem faz televisão (e agora também jornalismo, que virou uma produção pra agradar) é imaginar que só lida com idiotas. Será que a interação prometida pela TV Digital mudará esse quadro?
E agora que virou moda os apresentadores de telejornais darem ´toque´ ou mesmo ´advertência´ ao telespectador, difícil chegar ao fim de uma notícia em que não venha um desses ´toques´. Foi assim no JH (Jornal Hoje dessa mesma 5ª feira). Depois de uma reportagem com adolescentes "que pagam mico" diante de certas atitudes dos pais [que revelariam que os pais estão fora de moda], a apresentadora Sandra Annemberg mostrou a luz no fim do túnel, e sapecou: "É bom lembrar que esses jovens, adolescentes agora, serão pais e mães no futuro, e vão enfrentar esse problema".
Oooh!!!, que revelação...
"Ô Cride, fala pra mãe, que a televisão me deixou burro, muito burro demais..." diz o refrão de um hit dos Titãs, lembrando um personagem criado pelo humorista Ronald Golias. Ele, Golias, num programa de tevê, sempre que ia dizer alguma besteira lascava o bordão: "Ô Cride, fala pra mãe..."
Pois é: a prepotência de quem faz televisão (e agora também jornalismo, que virou uma produção pra agradar) é imaginar que só lida com idiotas. Será que a interação prometida pela TV Digital mudará esse quadro?
Assinar:
Postagens (Atom)