quinta-feira, 27 de maio de 2010
Black Brasil
A seleção brasileira de futebol finalmente viajou para disputar a Copa do Mundo na África do Sul. Alguém reconhece o fardamento nacional na indumentária ostentada por toda a delegação durante sua estada em Curitiba, na primeira fase da preparação? Eu nunca tinha visto esse uniforme preto...E na foto oficial, então, no Planalto Central, antes da partida: um desajeitado Ricardo Teixeira se espremendo pra tentar sair bem, bem coladinho ao Lula, que tem ao lado uma dona Mariza vestida com a amarelinha...Sim, somente ela. No mais, tooda a equipe num esquisitíssimo modelito preto com listras grafite (a seleção passou de canarinho a tiziu), com destaque exagerado dos nomes dos patrocinadores do escrete nacional...Hórrivel!
quarta-feira, 26 de maio de 2010
Surpresas do paladar no Pari
Arais!
Junto, em árabe. Esse significado é o sentimento natural do ser humano, que tem a característica gregária, o viver junto, o sentido da união. Pois é isso o que fez Carlinhos. Juntou todo mundo na casa dele e começou a misturar as tradições que trazia da memória de seu povo, com as especiarias que encontrou na nova terra que o acolheu. Carlinhos – que na verdade se chama Missaki, nome comum na Armênia como José por aqui – juntou coisas diferentes para estabelecer um novo marco na culinária árabe paulistana. É um prato que parece ser comum à cozinha árabe, mas que não tem similar entre os povos que têm tradição na cultura árabe. Ele queria fazer uma esfirra. Estava com vontade de comer uma esfirra. Mas não dispunha dos ingredientes e nem havia onde comprar nas proximidades do lar. Então, juntou carne, tomate, temperos variados, abriu um pão árabe, colocou tudo dentro, levou ao forno – a lenha – mas não aprovou o resultado. Tirou o tomate. Provou. Gostou. Chamou os amigos e, diante da eufórica degustação, teve a certeza: estava óptimo (assim, com pê mesmo, pra dar mais ênfase). Arais!
A expressão árabe encontrou a plenitude na reunião da comunidade armênia no Pari, tradicional bairro paulistano com muitos imigrantes, dentre os quais os armênios. Eles são tradicionais artesãos dos calçados, mas também se aventuram por outras habilidades, como Garô Aharonian, fotógrafo de fino trato, mestre das oficinas profissionalizantes do Senac. São alegres, artífices de festas memoráveis. Talvez seja próprio, da essência desse povo. Quem sabe tenha sido um sentimento cultivado, depois do horror do massacre imposto pelo Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial. Considera-se que até um milhão e 500 mil armênios desapareceram no que é conhecido como o primeiro genocídio da História Moderna. Até hoje, a Turquia não aceita que se diga que tenha cometido genocídio. O que terá sido? Massacre? Chacina? Holocausto? Trocando-se o termo, o que muda na História, e na memória, desse belo povo, herdeiro de cultura e tradições milenares...Antes de Roma, no século IV (ano 301), a Armênia foi o primeiro país a adotar formalmente o Cristianismo como religião oficial de Estado. Sofreu sucessivas ocupações e divisão, provocando uma diáspora que levou os armênios para várias partes do mundo.
No Brasil, Missaki encontrou um jeito de superar as dificuldades promovendo a reunião de amigos em torno da mesa. Da boa mesa, diga-se, o que influenciou e foi determinante para o filho Fernando. Este, é um caso especial. Seu hobby, quando estudante adolescente, era receber primos e amigos da escola e da comunidade na própria casa para brincar de...restaurante!
Arais!
Missaki juntou a fome com a vontade de comer. Reuniu a família e montou o Restaurante Carlinhos, o que faz a felicidade geral da paulicéia desvairada, que ganhou um rincão armênio que satisfaz a gregos, baianos e paulistanos que comem a não poder mais. Não é preciso nem fazer pedido. Fernando vai trazendo os pratos prontinhos, à medida que o cliente vai terminando de saborear o que lhe foi servido. E a primeira especiaria chega em menos de cinco minutos. É o Arais! Surpreendentemente simples, gostoso e inacreditavelmente leve. A partir daí, é uma sucessão agradabilíssima de surpresas do paladar...A sobremesa? Só embrulhando pra viagem. Arais!
Junto, em árabe. Esse significado é o sentimento natural do ser humano, que tem a característica gregária, o viver junto, o sentido da união. Pois é isso o que fez Carlinhos. Juntou todo mundo na casa dele e começou a misturar as tradições que trazia da memória de seu povo, com as especiarias que encontrou na nova terra que o acolheu. Carlinhos – que na verdade se chama Missaki, nome comum na Armênia como José por aqui – juntou coisas diferentes para estabelecer um novo marco na culinária árabe paulistana. É um prato que parece ser comum à cozinha árabe, mas que não tem similar entre os povos que têm tradição na cultura árabe. Ele queria fazer uma esfirra. Estava com vontade de comer uma esfirra. Mas não dispunha dos ingredientes e nem havia onde comprar nas proximidades do lar. Então, juntou carne, tomate, temperos variados, abriu um pão árabe, colocou tudo dentro, levou ao forno – a lenha – mas não aprovou o resultado. Tirou o tomate. Provou. Gostou. Chamou os amigos e, diante da eufórica degustação, teve a certeza: estava óptimo (assim, com pê mesmo, pra dar mais ênfase). Arais!
A expressão árabe encontrou a plenitude na reunião da comunidade armênia no Pari, tradicional bairro paulistano com muitos imigrantes, dentre os quais os armênios. Eles são tradicionais artesãos dos calçados, mas também se aventuram por outras habilidades, como Garô Aharonian, fotógrafo de fino trato, mestre das oficinas profissionalizantes do Senac. São alegres, artífices de festas memoráveis. Talvez seja próprio, da essência desse povo. Quem sabe tenha sido um sentimento cultivado, depois do horror do massacre imposto pelo Império Otomano durante a Primeira Guerra Mundial. Considera-se que até um milhão e 500 mil armênios desapareceram no que é conhecido como o primeiro genocídio da História Moderna. Até hoje, a Turquia não aceita que se diga que tenha cometido genocídio. O que terá sido? Massacre? Chacina? Holocausto? Trocando-se o termo, o que muda na História, e na memória, desse belo povo, herdeiro de cultura e tradições milenares...Antes de Roma, no século IV (ano 301), a Armênia foi o primeiro país a adotar formalmente o Cristianismo como religião oficial de Estado. Sofreu sucessivas ocupações e divisão, provocando uma diáspora que levou os armênios para várias partes do mundo.
No Brasil, Missaki encontrou um jeito de superar as dificuldades promovendo a reunião de amigos em torno da mesa. Da boa mesa, diga-se, o que influenciou e foi determinante para o filho Fernando. Este, é um caso especial. Seu hobby, quando estudante adolescente, era receber primos e amigos da escola e da comunidade na própria casa para brincar de...restaurante!
Arais!
Missaki juntou a fome com a vontade de comer. Reuniu a família e montou o Restaurante Carlinhos, o que faz a felicidade geral da paulicéia desvairada, que ganhou um rincão armênio que satisfaz a gregos, baianos e paulistanos que comem a não poder mais. Não é preciso nem fazer pedido. Fernando vai trazendo os pratos prontinhos, à medida que o cliente vai terminando de saborear o que lhe foi servido. E a primeira especiaria chega em menos de cinco minutos. É o Arais! Surpreendentemente simples, gostoso e inacreditavelmente leve. A partir daí, é uma sucessão agradabilíssima de surpresas do paladar...A sobremesa? Só embrulhando pra viagem. Arais!
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Carona de trem combate a Depressão
Durante a Depressão Americana –como ficou conhecida a crise financeira provocada pelo ´crack´ da bolsa de Nova York, nos anos ´30 do século passado– homens lutavam por qualquer coisa que pudesse lhes garantir que ainda tinham honra ou que pudessem demonstrar ser o melhor em algo, ainda que isso nada significasse para mudar a triste rotina de suas miseráveis vidas, nem que tivesse o condão de transformar a situação triste em que viviam. Em 1973, o diretor de cinema Robert Aldrich utilizou esses elementos como argumento e produziu um clássico: Emperor of the North Pole (O Imperador do Norte, no título brasileiro). No filme, Lee Marvin, autointitulado “O Imperador do Pólo Norte”, conhecido entre seus errantes colegas maltrapilhos como “nº 1”, vangloria-se de pegar carona em qualquer composição e viajar sem pagar para qualquer parte do país. De outro lado, Ernest Borgnine é Shack, temido condutor que ameaça até com a morte quem se atrever a pegar carona em trem sob seu comando. O nº 1 anuncia que que irá tentar a façanha. Está lançado o desafio. E os miseráveis apostam seus tostões; no vagabundo ou no chefe do trem. Depois de memoráveis cenas de muita tensão, ação e superação, Marvin alcança seu objetivo e crava com giz o “Nº 1” na locomotiva, para que todos vejam que ele é homem de cumprir o que promete...
Maio de 2010, em meio à crise que arrasta vários países europeus, e cujos reflexos são ainda sentidos no Brasil, dois garotos de periferia, de dez e doze anos, pegam carona num trem na distante cidade paulista de Santa Fé do Sul, e viajam a esmo. Um deles salta em São José do Rio Preto, mais de 220 km depois, e o outro fica em Santa Adélia, quase 300 quilômetros do ponto de partida.
Dois dias fora de casa foram suficientes para deixar apavorados pais, mães, irmãos e amigos. Mas, no reencontro, o rosto de um quanto o do outro mostravam um ar de felicidade indescritível para quem não imagina o prazer que pode sentir um garoto deserdado de tudo, demonstrar ser capaz de realizar uma façanha.
É..., carona de trem pode ser um antídoto contra grandes ou pequenas depressões.
Maio de 2010, em meio à crise que arrasta vários países europeus, e cujos reflexos são ainda sentidos no Brasil, dois garotos de periferia, de dez e doze anos, pegam carona num trem na distante cidade paulista de Santa Fé do Sul, e viajam a esmo. Um deles salta em São José do Rio Preto, mais de 220 km depois, e o outro fica em Santa Adélia, quase 300 quilômetros do ponto de partida.
Dois dias fora de casa foram suficientes para deixar apavorados pais, mães, irmãos e amigos. Mas, no reencontro, o rosto de um quanto o do outro mostravam um ar de felicidade indescritível para quem não imagina o prazer que pode sentir um garoto deserdado de tudo, demonstrar ser capaz de realizar uma façanha.
É..., carona de trem pode ser um antídoto contra grandes ou pequenas depressões.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Hillary, o bush de Obama. Ou a pax americana
Inaceitável!
Como pode um paizinho desses, do nosso quintal da América Latrina, ousar ter a pretensão de nos dar lição de diplomacia...
Isso é o que teria dito, ou pensado, a toda-poderosa secretária de Estado norte-americana quando viu concretizado o acordo amarrado pelo governo brasileiro, com o apoio do governo turco, estabelecendo as normas nucleares para o Irã, coisa tentada sem sucesso anteriormente por algumas das potências do bloco de segurança da ONU...Sim, a mesma ONU que disse "não" à guerra contra o Iraque, e que George Walker B. ignorou solenemente, dizendo que faria (e fez!) o ataque alegando que o governo iraquiano possuía imenso arsenal de armas de destruição em massa, até agora não encontradas...E olha que os norte-americanos estão revirando o solo iraquiano há bastante tempo. Pois é. Agora vem a senhora Clinton -que não conseguiu pôr ordem no próprio lar-, dizer como e quando um acordo tem valor. Esse, assinado por Brasil, Irã e Turquia, não tem valor, diz ela. E tanto fez que, um dia depois de assinado, Hillary mandou para o esgoto da História o que poderia ser visto como um marco das negociações internacionais, desde que haja, realmente, vontade de que uma negociação aconteça. O chanceler brasileiro, Celso Amorim alerta: não é atitude construtiva fazer pouco caso de um acordo firmado entre três nações independentes. Há quem diga que ainda é muito difícil, pra não dizer impossível, que uma superpotência aceite o protagonismo de uma nação emergente...A conferir.
Como pode um paizinho desses, do nosso quintal da América Latrina, ousar ter a pretensão de nos dar lição de diplomacia...
Isso é o que teria dito, ou pensado, a toda-poderosa secretária de Estado norte-americana quando viu concretizado o acordo amarrado pelo governo brasileiro, com o apoio do governo turco, estabelecendo as normas nucleares para o Irã, coisa tentada sem sucesso anteriormente por algumas das potências do bloco de segurança da ONU...Sim, a mesma ONU que disse "não" à guerra contra o Iraque, e que George Walker B. ignorou solenemente, dizendo que faria (e fez!) o ataque alegando que o governo iraquiano possuía imenso arsenal de armas de destruição em massa, até agora não encontradas...E olha que os norte-americanos estão revirando o solo iraquiano há bastante tempo. Pois é. Agora vem a senhora Clinton -que não conseguiu pôr ordem no próprio lar-, dizer como e quando um acordo tem valor. Esse, assinado por Brasil, Irã e Turquia, não tem valor, diz ela. E tanto fez que, um dia depois de assinado, Hillary mandou para o esgoto da História o que poderia ser visto como um marco das negociações internacionais, desde que haja, realmente, vontade de que uma negociação aconteça. O chanceler brasileiro, Celso Amorim alerta: não é atitude construtiva fazer pouco caso de um acordo firmado entre três nações independentes. Há quem diga que ainda é muito difícil, pra não dizer impossível, que uma superpotência aceite o protagonismo de uma nação emergente...A conferir.
sexta-feira, 9 de abril de 2010
Um, dois, feijão com arroz...ou a greve de fome
Lendo um artigo de jornal me vem à mente essa antiga brincadeira da distante infância, que começava assim: "Um, dois, feijão com arroz; três, quatro, feijão no prato..." e seguia em frente com outras rimas simples do cotidiano, só para enaltecer o valor nutritivo do feijão, que é considerado uma preferência nacional. Durante muito tempo -talvez por causa de um complexo de inferioridade- considerávamos essa escolha uma opção menor. Ainda mais quando comparada aos ovos com bêicon da refeição matinal dos americanos do Norte. Passou o tempo. E outro dia ficamos sabendo que o Brasil está certo: arroz com feijão foi considerado, em pesquisa internacional, o prato mais bem balanceado para a regularidade do organismo humano. O complemento básico, com ovo e/ou bife e salada, é a pedida mais tradicional. Mas pode ser bem variado, sem mexer na combinação do feijão-com-arroz.
Recuperada a auto-estima, o brasileiro ainda viu valorizado o feijão, numa série que ficou famosa na tevê, "João e o pé de feijão". O grande salto cultural surgiu com uma canção do Gonzaguinha- "Dez entre dez brasileiros preferem feijão...", que virou 'hit' nacional como tema de novela da Globo. Além de preferência nacional, o feijão modela o corpo. Dizem que, além da influência africana, a silhueta da mulher brasileira é determinado pelo consumo do feijão. Daí, chega-se à máxima de que, no Brasil, até japonesa tem peito e bunda. É o feijão!
Lembro que nos idos de longínquos anos 1970, um livro para controle de peso e modelagem da silhueta, "A dieta revolucionária do dr. Atkins", fez sucesso no mundo todo, menos no Brasil. É que, dentre outras coisas, o Dr. Atkins mandava cortar o feijão.
O brasileiro só reduziu o consumo de feijão numa época em que o preço estourou. Hoje, há quem corte o feijão por opção. Ou imposição. Da ditadura da moda, que determina uma estética visual europeia, distanciada da realidade brasileira. A partir daí, a febre da adequação ao figurino imposto pelas agências de modelos arrastou multidões de adolescentes obcecadas pelo modelito "campeã de natação": nada de peito, nada de costas, desencadeando uma onda anoréxica que levou muitas à morte. Agora, chegou às crianças. Contardo Calligaris, em artigo na Folha de S.Paulo, cita pesquisa que aponta "81% das crianças (norte-americanas) de 10 anos estariam com medo de ser gordas, e 50% das meninas dessa idade declararam estar fazendo regime (...) hoje, a forma e o peso preocupam até as crianças".
Ao contrário de culpar a preguiça e o sedentarismo pelo aumento de peso, Calligaris cita estudiosos do comportamento para inferir que "quando alguém sente que tudo na sua vida está fora de controle, ele sente também que os alimentos, o peso, o exercício (físico) são coisas que, em princípio, ele poderia controlar".
O psicanalista Contardo Calligaris considera que, diferentemente do que acontece com nossa vida amorosa e profissional, "acreditamos (com certa razão) que nosso peso e nossa forma dependem de nós". Para ele, é tentador propor uma equação: quanto menos estamos no controle de nossa vida (amorosa, profissional, social e mesmo moral), tanto mais nos preocupamos com peso e forma, que, bem ou mal, podem ser controlados. Citando outro profissional terapeuta, resume assim a fala de um paciente: "Se você não me escuta e não deixa nunca que minha opinião conte, posso ao menos escolher não comer nada".
Diante de tal declaração, Calligaris observa: "De repente, a greve de fome dos presos políticos pode ser um modelo para entender o que acontece nos transtornos alimentares e em nossa preocupação com peso e forma. Certo, na greve de fome os presos põem a vida em risco para promover uma causa (a sua própria ou outra). Mas eles também exercem, heroicamente, o que lhes sobra de liberdade; eles não são escutados, estão encarcerados, não podem nada, mas há algo que eles controlam: sua própria ingestão de alimentos".
Na visão dos terapeutas, a obsessão por regime e exercício é própria de quem não controla nada. Como último recurso, tenta controlar sua alimentação, seu peso e sua forma. E Calligaris conclui: "Só nos resta admitir que não controlamos nada, como os presos".
Recuperada a auto-estima, o brasileiro ainda viu valorizado o feijão, numa série que ficou famosa na tevê, "João e o pé de feijão". O grande salto cultural surgiu com uma canção do Gonzaguinha- "Dez entre dez brasileiros preferem feijão...", que virou 'hit' nacional como tema de novela da Globo. Além de preferência nacional, o feijão modela o corpo. Dizem que, além da influência africana, a silhueta da mulher brasileira é determinado pelo consumo do feijão. Daí, chega-se à máxima de que, no Brasil, até japonesa tem peito e bunda. É o feijão!
Lembro que nos idos de longínquos anos 1970, um livro para controle de peso e modelagem da silhueta, "A dieta revolucionária do dr. Atkins", fez sucesso no mundo todo, menos no Brasil. É que, dentre outras coisas, o Dr. Atkins mandava cortar o feijão.
O brasileiro só reduziu o consumo de feijão numa época em que o preço estourou. Hoje, há quem corte o feijão por opção. Ou imposição. Da ditadura da moda, que determina uma estética visual europeia, distanciada da realidade brasileira. A partir daí, a febre da adequação ao figurino imposto pelas agências de modelos arrastou multidões de adolescentes obcecadas pelo modelito "campeã de natação": nada de peito, nada de costas, desencadeando uma onda anoréxica que levou muitas à morte. Agora, chegou às crianças. Contardo Calligaris, em artigo na Folha de S.Paulo, cita pesquisa que aponta "81% das crianças (norte-americanas) de 10 anos estariam com medo de ser gordas, e 50% das meninas dessa idade declararam estar fazendo regime (...) hoje, a forma e o peso preocupam até as crianças".
Ao contrário de culpar a preguiça e o sedentarismo pelo aumento de peso, Calligaris cita estudiosos do comportamento para inferir que "quando alguém sente que tudo na sua vida está fora de controle, ele sente também que os alimentos, o peso, o exercício (físico) são coisas que, em princípio, ele poderia controlar".
O psicanalista Contardo Calligaris considera que, diferentemente do que acontece com nossa vida amorosa e profissional, "acreditamos (com certa razão) que nosso peso e nossa forma dependem de nós". Para ele, é tentador propor uma equação: quanto menos estamos no controle de nossa vida (amorosa, profissional, social e mesmo moral), tanto mais nos preocupamos com peso e forma, que, bem ou mal, podem ser controlados. Citando outro profissional terapeuta, resume assim a fala de um paciente: "Se você não me escuta e não deixa nunca que minha opinião conte, posso ao menos escolher não comer nada".
Diante de tal declaração, Calligaris observa: "De repente, a greve de fome dos presos políticos pode ser um modelo para entender o que acontece nos transtornos alimentares e em nossa preocupação com peso e forma. Certo, na greve de fome os presos põem a vida em risco para promover uma causa (a sua própria ou outra). Mas eles também exercem, heroicamente, o que lhes sobra de liberdade; eles não são escutados, estão encarcerados, não podem nada, mas há algo que eles controlam: sua própria ingestão de alimentos".
Na visão dos terapeutas, a obsessão por regime e exercício é própria de quem não controla nada. Como último recurso, tenta controlar sua alimentação, seu peso e sua forma. E Calligaris conclui: "Só nos resta admitir que não controlamos nada, como os presos".
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Liberdade de expressão...livre arbítrio?
O ser humano é diferenciado de toda a criação por uma particularidade única: ele pensa! Mas pensar dá trabalho. É preciso ter tempo. Por isso é que o jornalista Jefferson Barros, estudioso de Gramsci, escreveu o pequeno grande livro "A função dos intelectuais numa sociedade de classes", determinando: a função do intelectual é pensar. É que o trabalhador não dispõe de tempo. O operário, o agricultor, o executor de tarefas na sociedade de classes vive assoberbado de ocupações que não lhe deixam tempo para pensar. Talvez a lógica capitalista seja exatamente esta: não permitir que o operário pense. Há alguns anos, dourando a pílula da tecnologia, vendia-se a ideia de que a robotização viria para executar tarefas que oprimiam os trabalhadores, e que lhes deixaria mais tempo para o lazer e a convivência familiar. Estudos econômicos mostram que é mais produtivo turno único de cinco a seis horas, em vez dos dois turnos que perfazem oito a nove horas diárias. Mas não se fez a alteração anunciada, que permitiria o tempo livre ao assalariado. Com tempo livre, ele poderia pensar. Aí, revela-se a terceira faceta do pensar: é perigoso. Além de dar trabalho, e de requerer tempo, pensar é perigoso. Ao pensar, o ser humano pode querer se expressar, comunicar. O livre arbítrio com a liberdade de expressão pode tornar-se perigosa arma, se utilizada tendenciosamente.
Leio artigo do jornalista Palmério Dória, publicado nesta Sexta-feira Santa. Sob o título "Crime e Castigo", em que conta importante passagem da História recente do Brasil, que teve trajetória absolutamente obtusa, beneficiando um político em detrimento de outro, em razão única e exclusiva da utilização tendenciosa de um fato, através de relato inexato de um jornalista, que provocou mudança radical na cena política brasileira em Agosto de 1954.
O jornalista em questão é Armando Nogueira -morto esta semana aos 84 anos- e o fato, o alardeado 'atentado' contra o político e jornalista Carlos Lacerda, na rua Toneleros, na madrugada de 5 de agosto de 1954. Palmério relata que próximo ao local estava Nogueira com amigos, e "assistiu ao pandemônio que se instalou naquela rua de Copacabana, paralela à praia famosa no mundo inteiro. Dali, Armando partiu para contar nas páginas do Diário Carioca, onde trabalhava, na primeira pessoa, aquele que viria a ser carimbado pela imrensa de então como o Crime do Século. Crime que a oposição a Getúlio Vargas, incendiada pelo próprio Lacerda, iria explorar com tal sanha, que levaria o "pai dos pobres" ao suicídio - aliás, este sim o crime do século 20".
O título do artigo remete ao livro homônimo em que Dostoievsky explora a psique humana revelando que, ao cometer um crime, seu autor tem a necessidade de confessá-lo, vivendo atormentado enquanto não o fizer. Por isso, em "Crime e Castigo", o escritor russo mostra um atormentado Raskolnikov, jovem que cometeu brutal assassinato, teoricamente um crime perfeito, porque sem provas, que acaba por se apresentar voluntariamente para a confissão ao delegado.
Palmério Dória explica como foi a confissão de Nogueira:
"No começo dos anos 1980, Armando Nogueira, então todo-poderoso diretor de jornalismo da Rede Globo, reencontrou o ex-pistoleiro Alcino - que havia cumprido 21 anos de pena (por ter matado a tiros o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz na madrugada de 5 de agosto). Foi durante a gravação de um Globo Repórter na rua Toneleros. Depois, Armando me fez confidências, na salinha em que eu trabalhava na emissora, talvez tocado pelas emoções da noite, talvez por Alcino ser meu amigo - escrevi suas memórias. Armando me segredou que não contou na época exatamente o que viu (...) Perguntei o que levou o repórter Armando Nogueira a contar o que não viu - "Na verdade, a cena que vi foi um fogo cruzado de Lacerda e Alcino, o major no meio", e por aí foi - num crime crucial na história do Brasil. Armando Nogueira nunca respondeu nem podia responder."
Essa narrativa a serviço do golpe contra Vargas, segundo Palmério Dória, "fazia parte de um conjunto de crimes maiores e menores que levaram Vargas a matar-se 19 dias depois. O Diário Carioca, comandado pelo jornalista Pompeu de Souza, inicialmente de feroz oposição, tornou-se verdadeira extensão da República do Galeão, aparelho policial-militar a serviço da mais cega direita, instalada na Base Aérea do Galeão, onde se torturou, barbaramente, até gente da guarda do Palácio do Catete, com o objetivo de incriminar e derrubar Vargas. E Armando contou o que convinha para os torturadores e seus superiores militares e civis."
Quanto a Lacerda, não levou tiro nenhum. Usou o tal 'tiro no pé' para posar de vítima com mais convicção, carregado no colo que foi por soldados da Aeronáutica, e assim fotografado para publicação nos jornais. "Cá entre nós -acrescenta Palmério- no tiroteio se usou arma calibre 45, com bala que teria destruído o pé de Lacerda, o que não aconteceu". Alcino João do Nascimento tem 87 anos e não abre mão de sua história.O mestre-de-obras garante: atirou, sim, no peito do major Vaz, mas nega o tiro no pé de Lacerda. Este, passou a vida explicando o porquê de nunca ter mancado,,,
Assim se faz história, diz Palmério Dória, e pergunta: "Quais razões ele tem para mentir? As razões de Armando Nogueira não sabemos, só podemos supor: muito possivelmente ajudar a derrubar Vargas".
Leio artigo do jornalista Palmério Dória, publicado nesta Sexta-feira Santa. Sob o título "Crime e Castigo", em que conta importante passagem da História recente do Brasil, que teve trajetória absolutamente obtusa, beneficiando um político em detrimento de outro, em razão única e exclusiva da utilização tendenciosa de um fato, através de relato inexato de um jornalista, que provocou mudança radical na cena política brasileira em Agosto de 1954.
O jornalista em questão é Armando Nogueira -morto esta semana aos 84 anos- e o fato, o alardeado 'atentado' contra o político e jornalista Carlos Lacerda, na rua Toneleros, na madrugada de 5 de agosto de 1954. Palmério relata que próximo ao local estava Nogueira com amigos, e "assistiu ao pandemônio que se instalou naquela rua de Copacabana, paralela à praia famosa no mundo inteiro. Dali, Armando partiu para contar nas páginas do Diário Carioca, onde trabalhava, na primeira pessoa, aquele que viria a ser carimbado pela imrensa de então como o Crime do Século. Crime que a oposição a Getúlio Vargas, incendiada pelo próprio Lacerda, iria explorar com tal sanha, que levaria o "pai dos pobres" ao suicídio - aliás, este sim o crime do século 20".
O título do artigo remete ao livro homônimo em que Dostoievsky explora a psique humana revelando que, ao cometer um crime, seu autor tem a necessidade de confessá-lo, vivendo atormentado enquanto não o fizer. Por isso, em "Crime e Castigo", o escritor russo mostra um atormentado Raskolnikov, jovem que cometeu brutal assassinato, teoricamente um crime perfeito, porque sem provas, que acaba por se apresentar voluntariamente para a confissão ao delegado.
Palmério Dória explica como foi a confissão de Nogueira:
"No começo dos anos 1980, Armando Nogueira, então todo-poderoso diretor de jornalismo da Rede Globo, reencontrou o ex-pistoleiro Alcino - que havia cumprido 21 anos de pena (por ter matado a tiros o major da Aeronáutica Rubens Florentino Vaz na madrugada de 5 de agosto). Foi durante a gravação de um Globo Repórter na rua Toneleros. Depois, Armando me fez confidências, na salinha em que eu trabalhava na emissora, talvez tocado pelas emoções da noite, talvez por Alcino ser meu amigo - escrevi suas memórias. Armando me segredou que não contou na época exatamente o que viu (...) Perguntei o que levou o repórter Armando Nogueira a contar o que não viu - "Na verdade, a cena que vi foi um fogo cruzado de Lacerda e Alcino, o major no meio", e por aí foi - num crime crucial na história do Brasil. Armando Nogueira nunca respondeu nem podia responder."
Essa narrativa a serviço do golpe contra Vargas, segundo Palmério Dória, "fazia parte de um conjunto de crimes maiores e menores que levaram Vargas a matar-se 19 dias depois. O Diário Carioca, comandado pelo jornalista Pompeu de Souza, inicialmente de feroz oposição, tornou-se verdadeira extensão da República do Galeão, aparelho policial-militar a serviço da mais cega direita, instalada na Base Aérea do Galeão, onde se torturou, barbaramente, até gente da guarda do Palácio do Catete, com o objetivo de incriminar e derrubar Vargas. E Armando contou o que convinha para os torturadores e seus superiores militares e civis."
Quanto a Lacerda, não levou tiro nenhum. Usou o tal 'tiro no pé' para posar de vítima com mais convicção, carregado no colo que foi por soldados da Aeronáutica, e assim fotografado para publicação nos jornais. "Cá entre nós -acrescenta Palmério- no tiroteio se usou arma calibre 45, com bala que teria destruído o pé de Lacerda, o que não aconteceu". Alcino João do Nascimento tem 87 anos e não abre mão de sua história.O mestre-de-obras garante: atirou, sim, no peito do major Vaz, mas nega o tiro no pé de Lacerda. Este, passou a vida explicando o porquê de nunca ter mancado,,,
Assim se faz história, diz Palmério Dória, e pergunta: "Quais razões ele tem para mentir? As razões de Armando Nogueira não sabemos, só podemos supor: muito possivelmente ajudar a derrubar Vargas".
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
A cidade que me foi roubada
Get up!/stand up!/get up for your rights...
Uma antiga lição que vale sempre rever, sobretudo nos versos cadenciados pelo reggae de Marley, ritmo que pôs a Jamaica no mapa múndi cultural naqueles agitados anos '70 do século passado...
Caminhar pelas ruas da Cidade Velha - com os ecos da batida forte da banda Wailers, que por muitos anos acompanhou o mestre jamaicano do reggae -, contemplando fachadas azulejadas em estilo português, torres de igrejas, sobradões em decomposição em tons esmaecidos de vermelho, verde, amarelo e azul, em contraste com outros - em recuperação -, de tons fortes, em vermelho, verde, azul, laranja e amarelo. A água encapelada na maré cheia na Baía do Guajará, por trás do Solar da Beira, brilhando, brilhando contra um céu de turmalina, mesclado do cinza-chumbo de nuvens carregadas, com rasgos afogueados em tons de vermelho-alaranjado, nas derradeiras manifestações solares anunciando o cair da noite estrelada...
Ah!, esta cidade nunca mais será a mesma para mim, depois que me foi roubada por algozes usurpadores da paz alheia, cujo bem maior que me foi tirado foi essa alegria das andanças descompromissadas de tempo e de preocupações, de lugares e de horários. Agora, mais que nunca, é preciso relembrar a batida forte de Marley: Get up!, stand up!, stand up for your rights...
Uma antiga lição que vale sempre rever, sobretudo nos versos cadenciados pelo reggae de Marley, ritmo que pôs a Jamaica no mapa múndi cultural naqueles agitados anos '70 do século passado...
Caminhar pelas ruas da Cidade Velha - com os ecos da batida forte da banda Wailers, que por muitos anos acompanhou o mestre jamaicano do reggae -, contemplando fachadas azulejadas em estilo português, torres de igrejas, sobradões em decomposição em tons esmaecidos de vermelho, verde, amarelo e azul, em contraste com outros - em recuperação -, de tons fortes, em vermelho, verde, azul, laranja e amarelo. A água encapelada na maré cheia na Baía do Guajará, por trás do Solar da Beira, brilhando, brilhando contra um céu de turmalina, mesclado do cinza-chumbo de nuvens carregadas, com rasgos afogueados em tons de vermelho-alaranjado, nas derradeiras manifestações solares anunciando o cair da noite estrelada...
Ah!, esta cidade nunca mais será a mesma para mim, depois que me foi roubada por algozes usurpadores da paz alheia, cujo bem maior que me foi tirado foi essa alegria das andanças descompromissadas de tempo e de preocupações, de lugares e de horários. Agora, mais que nunca, é preciso relembrar a batida forte de Marley: Get up!, stand up!, stand up for your rights...
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Iron Jawed Angels
O título poderia ser traduzido livremente como "Anjos com Presas de Aço". É um desses filmes que te pegam de cara: meio da fita (zapeando na tevê paga), fim da madrugada, dia clareando, e lá está você, atento, olhando, curtindo, torcendo, aprendendo com a mensagem, se deliciando com as interpretações...Sobretudo uma aparição fugaz de Anjelica Houston...
A história do filme é a luta das mulheres norte-americanas pelo direito de votar. Elas são as sufragistas. São ameaçadas de prisão, vão presas, são espancadas, não têm direito a advogado, nem ao famoso telefonema - alardeado em toda e qualquer produção hollywwodiana -, enquanto o governo de Thomas Woodrow Wilson declara guerra à Alemanha alegando defender a democracia, os direitos civis dos cidadãos livres etc. e tal...As mulheres alegam que o discurso de Wilson para o público externo não vale para o interno, e mandam um comunicado à imprensa dizendo que "na cadeia ou em casa, a mulher americana não tem liberdade". Nos comitês femininos, da primeira década do século passado, elas argumentam que, "até os negros", depois da Guerra de Secessão (American Civil War), conseguiram o direito de votar, negado às mulheres.
A líder do movimento é Alice Paul (que lutou pelos direitos civis até morrer, em 1977), encarnada pela magistral atriz Hilary Swank. Em seus protestos, Alice Paul discursava utilizando frases do próprio presidente Wilson que, em outras ocasiões, defendia exatamente o posicionamento que elas estavam assumindo e, por causa disso, eram presas e espancadas. Numa das cenas mais tocantes de tais manifestações, ela pegava uma folha de papel, lia declarações de Wilson, e jogava no fogo que ardia dentro de um latão...
O filme de Katja von Garnier indica que o direito ao voto foi garantido à mulher norte-americana em agosto de 1920. A luta continua...
A história do filme é a luta das mulheres norte-americanas pelo direito de votar. Elas são as sufragistas. São ameaçadas de prisão, vão presas, são espancadas, não têm direito a advogado, nem ao famoso telefonema - alardeado em toda e qualquer produção hollywwodiana -, enquanto o governo de Thomas Woodrow Wilson declara guerra à Alemanha alegando defender a democracia, os direitos civis dos cidadãos livres etc. e tal...As mulheres alegam que o discurso de Wilson para o público externo não vale para o interno, e mandam um comunicado à imprensa dizendo que "na cadeia ou em casa, a mulher americana não tem liberdade". Nos comitês femininos, da primeira década do século passado, elas argumentam que, "até os negros", depois da Guerra de Secessão (American Civil War), conseguiram o direito de votar, negado às mulheres.
A líder do movimento é Alice Paul (que lutou pelos direitos civis até morrer, em 1977), encarnada pela magistral atriz Hilary Swank. Em seus protestos, Alice Paul discursava utilizando frases do próprio presidente Wilson que, em outras ocasiões, defendia exatamente o posicionamento que elas estavam assumindo e, por causa disso, eram presas e espancadas. Numa das cenas mais tocantes de tais manifestações, ela pegava uma folha de papel, lia declarações de Wilson, e jogava no fogo que ardia dentro de um latão...
O filme de Katja von Garnier indica que o direito ao voto foi garantido à mulher norte-americana em agosto de 1920. A luta continua...
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Sean see Sun
Spielberg mostrou num filme - O Império do Sol - como a mente humana viaja olhando para o céu. Ou para o Sol. O garotinho, carente de tudo, olhava para o céu, na precisa hora do sobrevôo dos aviões norte-americanos que chegavam para reverter a situação, e exclamava: "cadilacs do céu...", num momento de êxtase, em que tudo o mais parecia ter pouca ou nenhuma significância. Pode-se pensar que é o mesmo que imaginar onde é que o Sol pode estar. Por aqui dizemos ´o´ norte. Meu norte está em tal ou qual lugar. Siga seu norte, costuma-se dizer às pessoas que, às vezes, parecem perdidas, sem rumo...Deve ser por isso mesmo que uma bússola sempre indique o Norte, o rumo que possibilite a percepção de onde se está.
Pois é, pensando nisso, imaginei que o pequeno Sean, objeto de disputa há dois mil dias - sem mãe, morta há mais ou menos 500 dias -, deve estar pensando na vida boa que poderá levar em New Jersey, a partir de agora, e nem mais se lembrar da boa vida que levava no Rio de Janeiro, até a véspera do Natal. Que data! O pai, David, disse que a família renasce com a chegada (realmente, a volta) de Sean. E Sean, que [ao caminhar com a família carioca] só fazia chorar, abriu um largo sorriso ao correr para abraçar o pai, de quem fora separado há mais de cinco anos...
Renascimento. Natal é nascimento. Mas, quando está de volta algo como uma vida que se perdeu, é renascimento. O pai está certo na afirmação. E deve ter tido o dedo do Pai, que o seu único filho deu ao mundo, cuja data é celebrada como Natal em todos os países, menos um...
Afinal, Sean vê Sol. Há um brilho no céu, no olhar das pessoas. Do pai, resgatando o filho que lhe foi arrancado do convívio. Acabou a choradeira. "Acabou chorare", diriam os Novos Baianos em exclusivíssima canção dos anos ´70 do século passado...
Na verdade, uma história como essa só acontece porque existe a burocracia. O império do gabinete, dos burocratas. Nada mais natural do que deixar com seu pai o filho que perdeu a mãe. Se pai e filho não estão juntos porque não querem, ok, não deve existir obrigatoriedade nenhuma de que assim o façam. Mas, quando estão separados contra a vontade de ambos, é dever do Estado promover a aproximação. Se esse reencontro demora a acontecer, certamente o é por determinação de um estado de coisas ditadas por causídicos, situações inalcansáveis para o cidadão comum... Afinal, quanto mais demora, mais ganham os doutores...
Pois é, pensando nisso, imaginei que o pequeno Sean, objeto de disputa há dois mil dias - sem mãe, morta há mais ou menos 500 dias -, deve estar pensando na vida boa que poderá levar em New Jersey, a partir de agora, e nem mais se lembrar da boa vida que levava no Rio de Janeiro, até a véspera do Natal. Que data! O pai, David, disse que a família renasce com a chegada (realmente, a volta) de Sean. E Sean, que [ao caminhar com a família carioca] só fazia chorar, abriu um largo sorriso ao correr para abraçar o pai, de quem fora separado há mais de cinco anos...
Renascimento. Natal é nascimento. Mas, quando está de volta algo como uma vida que se perdeu, é renascimento. O pai está certo na afirmação. E deve ter tido o dedo do Pai, que o seu único filho deu ao mundo, cuja data é celebrada como Natal em todos os países, menos um...
Afinal, Sean vê Sol. Há um brilho no céu, no olhar das pessoas. Do pai, resgatando o filho que lhe foi arrancado do convívio. Acabou a choradeira. "Acabou chorare", diriam os Novos Baianos em exclusivíssima canção dos anos ´70 do século passado...
Na verdade, uma história como essa só acontece porque existe a burocracia. O império do gabinete, dos burocratas. Nada mais natural do que deixar com seu pai o filho que perdeu a mãe. Se pai e filho não estão juntos porque não querem, ok, não deve existir obrigatoriedade nenhuma de que assim o façam. Mas, quando estão separados contra a vontade de ambos, é dever do Estado promover a aproximação. Se esse reencontro demora a acontecer, certamente o é por determinação de um estado de coisas ditadas por causídicos, situações inalcansáveis para o cidadão comum... Afinal, quanto mais demora, mais ganham os doutores...
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Eu, você, o outro: Nós?
Acordei de um sonho estranho. Revelador. Tentava eu atravessar uma grande avenida cuja confluência envolvia o cruzamento de veículos e pedestres de várias direções, exigindo, portanto, redobrada atenção de cada um dos participantes dessa travessia necessária. Enquanto aguardava a abertura do sinal, veio-me à mente a história relatada por Hermann Hesse num de seus livros (Viagem ao Oriente, se não me falha a memória), em que mais ou menos conta o seguinte: um velho barqueiro oriental é reconhecido por um dos passageiros no momento em que faz a travessia de um rio numa remota região indiana. O ocidental o interpela, indagando as razões de ele ter abandonado a vida de fausto que então levava quando o conheceu no Ocidente. O velho não se deu por achado e nada respondeu. Seguiu firme no leme da embarcação, olhos fixos no infinito, do outro lado da margem que deveria alcançar. Impaciente, diante da chegada iminente, o ocidental insistiu em saber. O velho sorriu. Aportou, olhou para seu interlocutor e recomendou que se sentasse num banquinho sob uma grande árvore. Passou a relatar etapas de sua vida na juventude exagerada que levara, experimentando tudo que o mundo material lhe pudesse proporcionar, no afã de saciar seu espírito exigente de aventuras e de experiências extraordinárias. O tempo passou. E com esse passar ele percebeu que a passagem é o melhor de tudo. As pessoas estão loucamente apressadas em passar de um estágio a outro, que, por vezes, não chegam a perceber a beleza da passagem, e que ele mesmo perdera tempo demais em suas buscas, que acabaram se revelando vazias, razão pela qual ele, agora, encontrara a tranqüilidade, enquanto observava os afoitos rostos de seus eventuais companheiros de viagem, em buscas frenéticas sobre o que poderiam encontrar do outro lado, sem se dar conta das belezas oferecidas pelas ondulantes águas do rio, do frescor do vento no rosto, da mudança de tom no céu durante o balanço da embarcação. Da alegria de partir de um ponto e chegar seguro a outro, utilizando uma velha embarcação da qual ninguém se lembrou de pedir garantias... Nesse exato momento – pondera o velho – ele se deliciava com o prazer de lhes proporcionar uma travessia suave e tranqüila.
O sinal abriu. Apressei-me em avançar, como as outras pessoas a meu lado. Mas, de algum ponto que nos escapou surgiram carros e motos em grande zoada, obrigando-nos a voltar rapidamente para a calçada, enquanto ouvíamos uma caçoada do bando que passava – Mas vocês, hein?
Finalmente conseguimos chegar ao outro lado. E lá estava, na calçada, com sua moto, um dos caçoadores. Sem capacete, retirando encomendas da moto, assustou-se quando dele nos aproximamos. Sorriu nervosamente, amarelo, e fez menção de desculpar-se – Nada disso é preciso, disse-lhe uma velhinha a meu lado. Você, agora, é um de nós.
Quem são os outros?
O sinal abriu. Apressei-me em avançar, como as outras pessoas a meu lado. Mas, de algum ponto que nos escapou surgiram carros e motos em grande zoada, obrigando-nos a voltar rapidamente para a calçada, enquanto ouvíamos uma caçoada do bando que passava – Mas vocês, hein?
Finalmente conseguimos chegar ao outro lado. E lá estava, na calçada, com sua moto, um dos caçoadores. Sem capacete, retirando encomendas da moto, assustou-se quando dele nos aproximamos. Sorriu nervosamente, amarelo, e fez menção de desculpar-se – Nada disso é preciso, disse-lhe uma velhinha a meu lado. Você, agora, é um de nós.
Quem são os outros?
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Lula, Dona Canô, e o destemperado no Programa do Jô
Caetano Veloso disse que Lula fala errado. Nenhuma novidade. Criticou também o modo como apresenta o governo, dizendo que antes [com FHC] era melhor. Novidade nenhuma, partindo dele (compositor, provocador, estudioso de filosofia, sociologia e adepto de modismos outros, além de narcisista contumaz, autor do epíteto “A Falha de S. Paulo”, num momento em que se indispôs com algo publicado pela “Folha”, diário paulistano) . A novidade foi que Dona Canô, mãe do músico, disse a Lula, por telefone, que não gostou das declarações do filho, e que delas discordava. Importante notar que a crítica de Caetano a Lula foi publicada num texto que o baiano escreveu em artigo na Folha de S. Paulo, por ocasião da morte do antropólogo francês Claude Lévi-Srauss, a quem faz referência numa de suas composições.
O resumo da história da conversa entre Lula e Dona Canô saiu na Folha de domingo, 22 de novembro de 2009 (p. C8). Sob o almodovariano título “Tudo sobre minha mãe”, o texto diz: “Lula e Dona Canô, 102, mãe de Caetano Veloso, se falaram por telefone nesta semana, depois de ela ter discordado de declarações do filho sobre o presidente...”. Ok. Quem sabe ler sabe entender. E quem não sabe? Ou não leu?
Quem só assistiu ao Programa do Jô de segunda-feira, 23 de novembro, além de ver um novo e ótimo grupo musical, ficou com outra impressão do episódio da crítica a Lula. Havia lá um cidadão sendo entrevistado que estava mais disposto a fazer discurso. Ele começou com uma destemperada declaração contra o governo e a diplomacia brasileira por causa da visita do presidente do Irã a Brasília. Pregava o isolamento total, o totalitarismo, chegando quase a babar. Inicialmente (e surpreendentemente) Jô parecia anestesiado diante do discurso do cidadão a quem ele chamara como sendo um “jornalista polêmico” – melhor se tivesse dito panfletário – e manifestou certo desconforto ao interferir, o que conseguiu a duras penas, o que convenhamos, não é comum em seu programa. Disse que era preciso que falassem do assunto sobre o qual ele havia sido convidado para o programa. O cidadão consentiu. Assoou o nariz, disse que não estava irritado (Jô disse: “tá sim, tá sim”), e continuou, sem dar vez ao Jô. Atacou o governo por pretender controlar a imprensa, como na ditadura. Jô interveio e disse que, naquele tempo, houve censura etc. e tal. O cidadão não se deu por achado, e disse claramente que, naquele tempo a imprensa não fez o que deveria ter feito (“imprensa tem que ser contra o governo”), pois o que existia era uma continuidade do que vinha da era Vargas, com quem Samuel Wainer era mancomunado e outros jornalistas com outros governantes. Disse mais: “nós, depois da ditadura, fizemos uma imprensa profissional (?). Agora, cada um tem sua opinião, sua preferência, tudo muito claro”. E arrematou: “o Lula não gosta de crítica. O Caetano criticou Lula e ele [Lula] ligou pra mãe dele [Caetano]”.
Aí o cidadão saiu do tom de vez, ficou de pé, instou a platéia e bradou: “Cuidado, se alguém aí criticar o Lula, ele liga pra tua mãe”. Pois é, nessa altura a cara do Jô dava aquela impressão de quem está pensando: quem foi na produção que chamou esse cara? ... Coisas de um programa ao vivo, em que um cidadão mal intencionado se utiliza do espaço riquíssimo para alardear opiniões sob encomenda. Pelo que se lê do que está escrito na Folha, a questão não foi essa. Logo, o cidadão distorceu. Além disso, deveria citar outro governante, José Serra. Este, quando não gosta do que escrevem/falam sobre ele, liga para a redação do jornal, revista, tevê, rádio, e pede a cabeça do autor da reportagem, quiçá também do editor... Não deve ser o caso desse cidadão, pois deixou claro que, de alguns governantes, ele fala bem.
Prefiro ficar com Millôr Fernandes, para quem imprensa é, sempre, oposição. Fora disso, “é armazém de secos e molhados”.
O resumo da história da conversa entre Lula e Dona Canô saiu na Folha de domingo, 22 de novembro de 2009 (p. C8). Sob o almodovariano título “Tudo sobre minha mãe”, o texto diz: “Lula e Dona Canô, 102, mãe de Caetano Veloso, se falaram por telefone nesta semana, depois de ela ter discordado de declarações do filho sobre o presidente...”. Ok. Quem sabe ler sabe entender. E quem não sabe? Ou não leu?
Quem só assistiu ao Programa do Jô de segunda-feira, 23 de novembro, além de ver um novo e ótimo grupo musical, ficou com outra impressão do episódio da crítica a Lula. Havia lá um cidadão sendo entrevistado que estava mais disposto a fazer discurso. Ele começou com uma destemperada declaração contra o governo e a diplomacia brasileira por causa da visita do presidente do Irã a Brasília. Pregava o isolamento total, o totalitarismo, chegando quase a babar. Inicialmente (e surpreendentemente) Jô parecia anestesiado diante do discurso do cidadão a quem ele chamara como sendo um “jornalista polêmico” – melhor se tivesse dito panfletário – e manifestou certo desconforto ao interferir, o que conseguiu a duras penas, o que convenhamos, não é comum em seu programa. Disse que era preciso que falassem do assunto sobre o qual ele havia sido convidado para o programa. O cidadão consentiu. Assoou o nariz, disse que não estava irritado (Jô disse: “tá sim, tá sim”), e continuou, sem dar vez ao Jô. Atacou o governo por pretender controlar a imprensa, como na ditadura. Jô interveio e disse que, naquele tempo, houve censura etc. e tal. O cidadão não se deu por achado, e disse claramente que, naquele tempo a imprensa não fez o que deveria ter feito (“imprensa tem que ser contra o governo”), pois o que existia era uma continuidade do que vinha da era Vargas, com quem Samuel Wainer era mancomunado e outros jornalistas com outros governantes. Disse mais: “nós, depois da ditadura, fizemos uma imprensa profissional (?). Agora, cada um tem sua opinião, sua preferência, tudo muito claro”. E arrematou: “o Lula não gosta de crítica. O Caetano criticou Lula e ele [Lula] ligou pra mãe dele [Caetano]”.
Aí o cidadão saiu do tom de vez, ficou de pé, instou a platéia e bradou: “Cuidado, se alguém aí criticar o Lula, ele liga pra tua mãe”. Pois é, nessa altura a cara do Jô dava aquela impressão de quem está pensando: quem foi na produção que chamou esse cara? ... Coisas de um programa ao vivo, em que um cidadão mal intencionado se utiliza do espaço riquíssimo para alardear opiniões sob encomenda. Pelo que se lê do que está escrito na Folha, a questão não foi essa. Logo, o cidadão distorceu. Além disso, deveria citar outro governante, José Serra. Este, quando não gosta do que escrevem/falam sobre ele, liga para a redação do jornal, revista, tevê, rádio, e pede a cabeça do autor da reportagem, quiçá também do editor... Não deve ser o caso desse cidadão, pois deixou claro que, de alguns governantes, ele fala bem.
Prefiro ficar com Millôr Fernandes, para quem imprensa é, sempre, oposição. Fora disso, “é armazém de secos e molhados”.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
O Vírus e sua utilidade
Ele não pede licença. Instala-se e, pronto. Tá feito o estrago. Toda uma gama de informação a respeito de como se dá tal instalação deixa muito a desejar se o cara não for um interessado estudioso dos detalhes de membranas, envelopes, ácido ribonucléico e outros que tais... Agora, tem um brasileiro que decidiu demonstrar como se deu (se dá) “A História da Humanidade Contada pelo Vírus”. O livro é de autoria do médico infectologista Stefan Cunha Ujvari (Editora Contexto, 2008), que conseguiu trazer a genética, definitivamente, para a área das ciências do homem. Miscigenação, conflitos, êxodos, fortalecimento e enfraquecimento de povos, enfim, o nome do livro resume tudo isso, mas sob a inesperada visão do vírus.
Pois é esse talzinho aí me pegou. Segundo a ótica especializada de quem fez a análise da [minha] situação, ele já tava instalado, “adormecido”, só esperando o melhor momento pra entrar em ação. Esse momento é descrito como baixa de resistência. Então, o bicho não tava dormindo coisa nenhuma. Tava é muito do esperto esperando o momento certo de entrar em ação. Penso até que ele deve ser discípulo do Sun Tzu (A Arte da Guerra), que recomenda exatamente isso aos soldados que querem vencer uma batalha: esperar o momento exato de uma certa fraqueza do adversário.
Conta-se que o primeiro vírus da influenza chegou ao Brasil com a República, em 1889. Teria vindo num navio que trouxe mercadorias de Hamburgo, com um exemplar do vírus russo a bordo. Depois, em 1918, com a famosa febre espanhola, mais tarde com a asiática, a de Hong Kong, a aviária, a suína – também chamada de mexicana – tudo porque é preciso identificar o mal e a sua origem. Mas muito disso pode ser história mal contada ou intencionalmente fabricada. Pois se é verdade que muito do que se escreve é feito com muita pesquisa [como no caso do dr. Ujvari que fez extenso trabalho consultando mais de quatro centenas de pesquisadores internacionais], há também muito jogo de interesse e sobretudo, de escapatórias. Pois não pega bem para uma potência mundial ver seu nome associado a um mal que dizima a humanidade sem piedade. Assim, se aconteceu num território específico, mas pode-se dar um ´jeitinho´ pra atravessar a fronteira e alardear que ´foi do lado de lá que começou´...
A famosa gripe espanhola que dizimou 50 milhões de pessoas (número ainda em discussão, que gira entre 30 milhões e cem milhões de pessoas), não seria espanhola coisa nenhuma. A origem do nome teria se dado em razão de ter sido a Espanha o país que identificou e tipificou o vírus. Daí... O que se diz agora é que, “não se sabe ao certo se a origem do vírus teria sido os Estados Unidos da América ou a China”, mas o mal ficou conhecido como “epidemia espanhola”.
Tem um livro de uma jornalista norte-americana, Gina Kalek, que se debruçou sobre o tema e escreveu “Gripe: A História da Pandemia de 1918”. Pode ser interessante, quase um século depois...
E, há um quarto de século, o vírus migrou da biologia para a tecnologia, atingindo mortalmente as máquinas ditas infalíveis. A exemplo do que acontece na biologia, que um novo vírus vem sempre associado a um laboratório específico que tem um remédio ´x´ e já está desenvolvendo a vacina ´y´, também com o surgimento do primeiro vírus de computador, quando quase nada se entendia do que estava acontecendo, aparecia o nome de dois irmãos, com telefone e tudo o mais, para ´qualquer serviço de reparo para recuperar máquinas danificadas´...
Fértil terreno de pesquisa.
Ainda mais quando se pensa que a varíola, dada como extinta, pode ser acionada a qualquer momento, pois boas cepas do vírus "estão muito bem guardadas" em laboratórios nos Estados Unidos e na Sibéria. Dois locais até bem pouco tempo em ferrenha disputa pela hegemonia mundial...
Pois é esse talzinho aí me pegou. Segundo a ótica especializada de quem fez a análise da [minha] situação, ele já tava instalado, “adormecido”, só esperando o melhor momento pra entrar em ação. Esse momento é descrito como baixa de resistência. Então, o bicho não tava dormindo coisa nenhuma. Tava é muito do esperto esperando o momento certo de entrar em ação. Penso até que ele deve ser discípulo do Sun Tzu (A Arte da Guerra), que recomenda exatamente isso aos soldados que querem vencer uma batalha: esperar o momento exato de uma certa fraqueza do adversário.
Conta-se que o primeiro vírus da influenza chegou ao Brasil com a República, em 1889. Teria vindo num navio que trouxe mercadorias de Hamburgo, com um exemplar do vírus russo a bordo. Depois, em 1918, com a famosa febre espanhola, mais tarde com a asiática, a de Hong Kong, a aviária, a suína – também chamada de mexicana – tudo porque é preciso identificar o mal e a sua origem. Mas muito disso pode ser história mal contada ou intencionalmente fabricada. Pois se é verdade que muito do que se escreve é feito com muita pesquisa [como no caso do dr. Ujvari que fez extenso trabalho consultando mais de quatro centenas de pesquisadores internacionais], há também muito jogo de interesse e sobretudo, de escapatórias. Pois não pega bem para uma potência mundial ver seu nome associado a um mal que dizima a humanidade sem piedade. Assim, se aconteceu num território específico, mas pode-se dar um ´jeitinho´ pra atravessar a fronteira e alardear que ´foi do lado de lá que começou´...
A famosa gripe espanhola que dizimou 50 milhões de pessoas (número ainda em discussão, que gira entre 30 milhões e cem milhões de pessoas), não seria espanhola coisa nenhuma. A origem do nome teria se dado em razão de ter sido a Espanha o país que identificou e tipificou o vírus. Daí... O que se diz agora é que, “não se sabe ao certo se a origem do vírus teria sido os Estados Unidos da América ou a China”, mas o mal ficou conhecido como “epidemia espanhola”.
Tem um livro de uma jornalista norte-americana, Gina Kalek, que se debruçou sobre o tema e escreveu “Gripe: A História da Pandemia de 1918”. Pode ser interessante, quase um século depois...
E, há um quarto de século, o vírus migrou da biologia para a tecnologia, atingindo mortalmente as máquinas ditas infalíveis. A exemplo do que acontece na biologia, que um novo vírus vem sempre associado a um laboratório específico que tem um remédio ´x´ e já está desenvolvendo a vacina ´y´, também com o surgimento do primeiro vírus de computador, quando quase nada se entendia do que estava acontecendo, aparecia o nome de dois irmãos, com telefone e tudo o mais, para ´qualquer serviço de reparo para recuperar máquinas danificadas´...
Fértil terreno de pesquisa.
Ainda mais quando se pensa que a varíola, dada como extinta, pode ser acionada a qualquer momento, pois boas cepas do vírus "estão muito bem guardadas" em laboratórios nos Estados Unidos e na Sibéria. Dois locais até bem pouco tempo em ferrenha disputa pela hegemonia mundial...
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
205, 203, 204...uma olhadinha nos telejornais
O dia era da Bandeira, 19 de novembro, dedicado ao símbolo nacional. Mas quem deu bandeira mesmo foi o jornalismo da Globo: no JG, 205; no BDBR, 203; no GE, 205. A referência numérica diz respeito à quantidade de dias que faltam para o início da Copa do Mundo de Futebol, a ser realizada ano que vem, em solo africano. No JG (Jornal da Globo, no ar na madrugada de 5ª feira, dia 19), Cristiane Pelajo disse: "A duzentos e cinco dias da Copa do Mundo são conhecidas as trinta e duas seleções que participarão do torneio na África do Sul". No BDBR (Bom Dia Brasil, apresentado na manhã de 5ª feira, dia 19), Renata Vasconcellos leu um texto parecido com o do JG, em ordem invertida: "Conhecidas as trinta e duas seleções que vão participar da Copa do Mundo, daqui a duzentos e três dias". Já no GE (Globo Esporte, no ar na tarde de 5ª feira, 19), Glenda Koslowski foi firme: "A duzentos e quatro dias da Copa..." O telespectador dos três noticiosos ficou com uma certeza: a Copa do Mundo será na África do Sul e dela participarão 32 seleções. Quanto aos dias faltantes...melhor consultar o calendário.
E agora que virou moda os apresentadores de telejornais darem ´toque´ ou mesmo ´advertência´ ao telespectador, difícil chegar ao fim de uma notícia em que não venha um desses ´toques´. Foi assim no JH (Jornal Hoje dessa mesma 5ª feira). Depois de uma reportagem com adolescentes "que pagam mico" diante de certas atitudes dos pais [que revelariam que os pais estão fora de moda], a apresentadora Sandra Annemberg mostrou a luz no fim do túnel, e sapecou: "É bom lembrar que esses jovens, adolescentes agora, serão pais e mães no futuro, e vão enfrentar esse problema".
Oooh!!!, que revelação...
"Ô Cride, fala pra mãe, que a televisão me deixou burro, muito burro demais..." diz o refrão de um hit dos Titãs, lembrando um personagem criado pelo humorista Ronald Golias. Ele, Golias, num programa de tevê, sempre que ia dizer alguma besteira lascava o bordão: "Ô Cride, fala pra mãe..."
Pois é: a prepotência de quem faz televisão (e agora também jornalismo, que virou uma produção pra agradar) é imaginar que só lida com idiotas. Será que a interação prometida pela TV Digital mudará esse quadro?
E agora que virou moda os apresentadores de telejornais darem ´toque´ ou mesmo ´advertência´ ao telespectador, difícil chegar ao fim de uma notícia em que não venha um desses ´toques´. Foi assim no JH (Jornal Hoje dessa mesma 5ª feira). Depois de uma reportagem com adolescentes "que pagam mico" diante de certas atitudes dos pais [que revelariam que os pais estão fora de moda], a apresentadora Sandra Annemberg mostrou a luz no fim do túnel, e sapecou: "É bom lembrar que esses jovens, adolescentes agora, serão pais e mães no futuro, e vão enfrentar esse problema".
Oooh!!!, que revelação...
"Ô Cride, fala pra mãe, que a televisão me deixou burro, muito burro demais..." diz o refrão de um hit dos Titãs, lembrando um personagem criado pelo humorista Ronald Golias. Ele, Golias, num programa de tevê, sempre que ia dizer alguma besteira lascava o bordão: "Ô Cride, fala pra mãe..."
Pois é: a prepotência de quem faz televisão (e agora também jornalismo, que virou uma produção pra agradar) é imaginar que só lida com idiotas. Será que a interação prometida pela TV Digital mudará esse quadro?
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
This is America. But...
América Central, América do Norte, América do Sul. Nessa ordem, se for pra seguir o alfabeto...Enfim, América.
Mas, qualquer um que já tenha visitado Miami ou não, sabe que 60% da população é composta por latinos (sim, os latino-americanos), e o restante, não sendo latino, fala castelhano ou arremedos dele, ainda que sejam norte-americanos. Da Flórida, até o Alabama, é essa a ordem das coisas. Mas, ao cruzar com um americano "wasp", o vocábulo discricionário que identifica os "americanos de verdade" - w= white(branco); as= anglosaxão (a ascendência britânica, colonizadora); e p= protestante, a religião predominante -, o latino recém-estabelecido em território alienígena (sim, porque mesmo sendo americano, do Sul, do Centro, é discriminado), tem um choque ao ouvir, de forma arrogante: "This is America", disse-me Dácio, que morou em Miami em 1994, representando uma empresa brasileira que tinha negócios lá. Ele lembra que, naquele ano, disputava-se a Copa do Mundo de Futebol em território norte-americano, mas, nos jornais locais (Miami Herald, em inglês e espanhol), somente uma linha, no pé da página dava os resultados dos jogos. Todo o espaço era ocupado com "as coisas da América", deles...O que é o futebol?, coisa de subdesenvolvidos. Eles só lutaram pra promover a Copa do Mundo em troca do capital - a velha e boa grana - que, certamente, amealharam...This is America!
Ok!, eu já sabia. Eu também sou América. Rarará. Isso é o que diria José Simão - o debochado colunista da Folha de S. Paulo -, porque não dá pra levar a sério tamanha arrogância dos também colonizados, como de resto toooda América. Afinal, os que na América (Central, do Sul ou do Norte) chegaram cuidaram de aniquilar a vida anteriormente existente, fazendo com que qualquer sinal de civilização pré-estabelecida fosse eliminada.
Muito bem.
Isso posto, façamos um pequeno paralelo com a crise vivida atualmente em Honduras, onde um presidente eleito pelo voto democrático foi deposto do cargo e um fantoche assumiu o posto, num claro golpe de estado, arrostando a lei e se autointitulando o defensor da legalidade. Se a Carta Constitucional foi aviltada (o presidente deposto foi retirado de sua residência em pijamas, sob a mira de metralhadores e embarcado em avião para fora do país, ferindo a legislação local), como autoproclamar legalidade?
Muito se tem escrito a esse respeito, sobretudo para condenar (aqui no Brasil) a posição brasileira de dar asilo ao presidente deposto que buscou guarida na embaixada brasileira em Tegucigalpa.
Recomendo a leitura do artigo do jornalista José Arbex Jr. na revista "Caros Amigos" de outubro/2009, p.7, em que diz: A "crise de Honduras" sintetiza e ilumina um momento histórico ímpar na história mundial. Pela primeira vez, desde 1823, quando James Monroe formulou a doutrina que leva o seu nome ("a América para os americanos" - quando, de fato, tinha em mente "a América para os estadunidenses"), Washington, nitidamente, perdeu o controle e a iniciativa sobre os desenvolvimentos políticos e sociais na América Latina e no Caribe.
E Arbex continua: O papel assumido pelo Brasil, nesse quadro, tem dimensão explosiva: em nome dos princípios democráticos que devem nortear a relação entre os Estados, o governo brasileiro não se limitou a "condenar" o regime golpista, nem se contentou com sanções limitadas. Isso pode inaugurar uma nova etapa da relação do Brasil com a comunidade mundial das nações, e abrir o caminho para novos desdobramentos democráticos na América Latina.
Na conclusão de seu artigo, Arbex lembra: "Desde 1823, o jogo entre as nações do planeta tinha na Doutrina Monroe um de seus parâmetros. Nenhuma outra potência mundial sequer tentou, seriamente, disputar a hegemonia dos Estados Unidos na região (exceto no famoso episódio dos mísseis de 1962, quando a então União Soviética tentou transformar Cuba em plataforma de lançamento de mísseis nucleares). Hoje, a Doutrina Monroe, pela primeira vez, começa a fazer água, mas não num quadro qualquer, e sim no da maior crise enfrentada pelo capitalismo desde 1929".
A grita é grande (de parte encomendada da crítica) contra o posicionamento adotado pelo governo brasileiro. E, sobretudo, por ter o deposto governo hondurenho se alinhado com o venezuelano na Alba. Mas, tudo faz sentido, se lembrarmos que, em abril de 2002, Washington apoiou uma frustrada tentativa de golpe para depor Hugo Chaves (que tem a ver com a cassação da concessão de uma emissora de TV que defendeu o golpe), e que também fracassou ao tentar fabricar uma guerra civil para acabar com o governo do ´cocalero´ Evo Morales na Bolívia, em 2008.
Yes, we are America!
Mas, qualquer um que já tenha visitado Miami ou não, sabe que 60% da população é composta por latinos (sim, os latino-americanos), e o restante, não sendo latino, fala castelhano ou arremedos dele, ainda que sejam norte-americanos. Da Flórida, até o Alabama, é essa a ordem das coisas. Mas, ao cruzar com um americano "wasp", o vocábulo discricionário que identifica os "americanos de verdade" - w= white(branco); as= anglosaxão (a ascendência britânica, colonizadora); e p= protestante, a religião predominante -, o latino recém-estabelecido em território alienígena (sim, porque mesmo sendo americano, do Sul, do Centro, é discriminado), tem um choque ao ouvir, de forma arrogante: "This is America", disse-me Dácio, que morou em Miami em 1994, representando uma empresa brasileira que tinha negócios lá. Ele lembra que, naquele ano, disputava-se a Copa do Mundo de Futebol em território norte-americano, mas, nos jornais locais (Miami Herald, em inglês e espanhol), somente uma linha, no pé da página dava os resultados dos jogos. Todo o espaço era ocupado com "as coisas da América", deles...O que é o futebol?, coisa de subdesenvolvidos. Eles só lutaram pra promover a Copa do Mundo em troca do capital - a velha e boa grana - que, certamente, amealharam...This is America!
Ok!, eu já sabia. Eu também sou América. Rarará. Isso é o que diria José Simão - o debochado colunista da Folha de S. Paulo -, porque não dá pra levar a sério tamanha arrogância dos também colonizados, como de resto toooda América. Afinal, os que na América (Central, do Sul ou do Norte) chegaram cuidaram de aniquilar a vida anteriormente existente, fazendo com que qualquer sinal de civilização pré-estabelecida fosse eliminada.
Muito bem.
Isso posto, façamos um pequeno paralelo com a crise vivida atualmente em Honduras, onde um presidente eleito pelo voto democrático foi deposto do cargo e um fantoche assumiu o posto, num claro golpe de estado, arrostando a lei e se autointitulando o defensor da legalidade. Se a Carta Constitucional foi aviltada (o presidente deposto foi retirado de sua residência em pijamas, sob a mira de metralhadores e embarcado em avião para fora do país, ferindo a legislação local), como autoproclamar legalidade?
Muito se tem escrito a esse respeito, sobretudo para condenar (aqui no Brasil) a posição brasileira de dar asilo ao presidente deposto que buscou guarida na embaixada brasileira em Tegucigalpa.
Recomendo a leitura do artigo do jornalista José Arbex Jr. na revista "Caros Amigos" de outubro/2009, p.7, em que diz: A "crise de Honduras" sintetiza e ilumina um momento histórico ímpar na história mundial. Pela primeira vez, desde 1823, quando James Monroe formulou a doutrina que leva o seu nome ("a América para os americanos" - quando, de fato, tinha em mente "a América para os estadunidenses"), Washington, nitidamente, perdeu o controle e a iniciativa sobre os desenvolvimentos políticos e sociais na América Latina e no Caribe.
E Arbex continua: O papel assumido pelo Brasil, nesse quadro, tem dimensão explosiva: em nome dos princípios democráticos que devem nortear a relação entre os Estados, o governo brasileiro não se limitou a "condenar" o regime golpista, nem se contentou com sanções limitadas. Isso pode inaugurar uma nova etapa da relação do Brasil com a comunidade mundial das nações, e abrir o caminho para novos desdobramentos democráticos na América Latina.
Na conclusão de seu artigo, Arbex lembra: "Desde 1823, o jogo entre as nações do planeta tinha na Doutrina Monroe um de seus parâmetros. Nenhuma outra potência mundial sequer tentou, seriamente, disputar a hegemonia dos Estados Unidos na região (exceto no famoso episódio dos mísseis de 1962, quando a então União Soviética tentou transformar Cuba em plataforma de lançamento de mísseis nucleares). Hoje, a Doutrina Monroe, pela primeira vez, começa a fazer água, mas não num quadro qualquer, e sim no da maior crise enfrentada pelo capitalismo desde 1929".
A grita é grande (de parte encomendada da crítica) contra o posicionamento adotado pelo governo brasileiro. E, sobretudo, por ter o deposto governo hondurenho se alinhado com o venezuelano na Alba. Mas, tudo faz sentido, se lembrarmos que, em abril de 2002, Washington apoiou uma frustrada tentativa de golpe para depor Hugo Chaves (que tem a ver com a cassação da concessão de uma emissora de TV que defendeu o golpe), e que também fracassou ao tentar fabricar uma guerra civil para acabar com o governo do ´cocalero´ Evo Morales na Bolívia, em 2008.
Yes, we are America!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Uni - Tali - ban
E a universidade fez coro com os retrógrados, vândalos, sádicos e totalitários. Num ato que demonstra a plena identidade com o que de pior poderia ser gerado em ambiente acadêmico de verdade, a Uniban, agora identificada com o Taliban, expulsou da escola a garota Geisy (a que provocou uma onda reacionária há duas semanas por causa de uma minissaia), "por ferir os princípios da instituição", segundo o departamento jurídico da Uniban. Agora, só falta baixar uma lei obrigando o uso da ´burca´ - aquela roupa que cobre o corpo todo das mulheres muçulmanas - pelas alunas que ainda puderem frequentar algum curso ali, pois para o Taleban, mulher não tem que estudar, só cuidar dos filhos...Lembram disso? Será que nessa faculdadezinha algum dia alguma aluna poderá apresentar um trabalho sobre o "Women´s Lib"???
Mas do MEC vem a advertência: "Uma universidade tem uma obrigação educacional que precisa estar presente em todos os momentos. É um local não apenas de convivência, mas de formação de valores [...] O MEC tem o dever de pedir explicações [à faculdade]. Esse caso me parece ter um forte caráter de gênero. Seria a mesma coisa em um caso de racismo", disse Maria Paula Dallari, secretária de Ensino Superior do Ministério da Educação. Maria Paula também disse que a escola revela preconceito de gênero, pois em nota paga publicada nos jornais, a escola justifica a expulsão alegando que a estudante usava roupas curtas e tinha atitudes provocativas, que teria resultado em uma "reação coletiva de defesa do ambiente escolar" - pasmem! -. A secretária também diz que causou estranheza o fato de Geisy ter sido expulsa enquanto os alunos que provocaram o tumulto terem sido penalizados com suspensão. Na nota, a escola aponta como acertada a decisão de uma sindicância interna, pois houve desrespeito aos "princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". Rárárá, seria a reação do colunista da Folha, José Simão, que criou um neologismo para os estudantes dessa escolinha: universotários. Dignidade acadêmica??? O que é isso?, para uma instituição que não respeita a dignidade do diferente no ser humano?
Tempos estranhos esses...
O promotor criminal e membro do Movimento do Ministério Público Democrático, Roberto Livianu, não tem dúvida: "a Uniban meteu os pés pelas mãos. A atitude representa um profundo e lamentável desrespeito às mulheres, é um pensamento arcaico". Nenhuma organização pode ter leis acima da Constituição, e é o que se verifica neste caso, segundo o advogado constitucionalista Pedro Estevam Serrano. Ouvido pela Agência Estado, o professor da PUC de São Paulo, considera: "Há algo ainda mais grave, que é o indício de que a universidade tenha agido com preconceito de gênero contra a aluna, ferindo o artigo 46º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que determina o respeito à diversidade e à tolerância".
O Taleban e a "reação coletiva" da turba da Uniban...
Para o psicanalista e colunista da Folha de S. Paulo, Contardo Calligaris, "as turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio". Para ele, os alunos que saíram de suas aulas (naquela noite de 22 de outubro) e se aglomeraram numa turba para xingar, tocar, fotografar e filmar a moça, se assemelham às hordas da Idade Média: "Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa [...] Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um ´justo´ protesto contra a ´inadequação da roupa´ da colega. Difícil levá-los a sério."
Pois, levando-os a sério, a direção da Uniban mostra que está mais para Taleban e, agora, vai ter que se explicar ao MEC que tem fatos suficientes para cassar a licença da escola.
Mas do MEC vem a advertência: "Uma universidade tem uma obrigação educacional que precisa estar presente em todos os momentos. É um local não apenas de convivência, mas de formação de valores [...] O MEC tem o dever de pedir explicações [à faculdade]. Esse caso me parece ter um forte caráter de gênero. Seria a mesma coisa em um caso de racismo", disse Maria Paula Dallari, secretária de Ensino Superior do Ministério da Educação. Maria Paula também disse que a escola revela preconceito de gênero, pois em nota paga publicada nos jornais, a escola justifica a expulsão alegando que a estudante usava roupas curtas e tinha atitudes provocativas, que teria resultado em uma "reação coletiva de defesa do ambiente escolar" - pasmem! -. A secretária também diz que causou estranheza o fato de Geisy ter sido expulsa enquanto os alunos que provocaram o tumulto terem sido penalizados com suspensão. Na nota, a escola aponta como acertada a decisão de uma sindicância interna, pois houve desrespeito aos "princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade". Rárárá, seria a reação do colunista da Folha, José Simão, que criou um neologismo para os estudantes dessa escolinha: universotários. Dignidade acadêmica??? O que é isso?, para uma instituição que não respeita a dignidade do diferente no ser humano?
Tempos estranhos esses...
O promotor criminal e membro do Movimento do Ministério Público Democrático, Roberto Livianu, não tem dúvida: "a Uniban meteu os pés pelas mãos. A atitude representa um profundo e lamentável desrespeito às mulheres, é um pensamento arcaico". Nenhuma organização pode ter leis acima da Constituição, e é o que se verifica neste caso, segundo o advogado constitucionalista Pedro Estevam Serrano. Ouvido pela Agência Estado, o professor da PUC de São Paulo, considera: "Há algo ainda mais grave, que é o indício de que a universidade tenha agido com preconceito de gênero contra a aluna, ferindo o artigo 46º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que determina o respeito à diversidade e à tolerância".
O Taleban e a "reação coletiva" da turba da Uniban...
Para o psicanalista e colunista da Folha de S. Paulo, Contardo Calligaris, "as turbas têm um ponto em comum: detestam a ideia de que a mulher tenha desejo próprio". Para ele, os alunos que saíram de suas aulas (naquela noite de 22 de outubro) e se aglomeraram numa turba para xingar, tocar, fotografar e filmar a moça, se assemelham às hordas da Idade Média: "Com seus celulares ligados na mão, como tochas levantadas, eles pareciam uma ralé do século 16 querendo tocar fogo numa perigosa bruxa [...] Entre esses boçais, houve aqueles que explicaram o acontecido como um ´justo´ protesto contra a ´inadequação da roupa´ da colega. Difícil levá-los a sério."
Pois, levando-os a sério, a direção da Uniban mostra que está mais para Taleban e, agora, vai ter que se explicar ao MEC que tem fatos suficientes para cassar a licença da escola.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Saudades de 67...
O intrigante caso da agressão à garota de minissaia aconteceu numa universidade de São Bernardo do Campo, cidade do ABC Paulista que fez história, com movimento sindical ousado, que afrontou a ditadura militar com a primeira greve que deixou assustado os poderosos de plantão, ainda que não tivesse outra intenção que não apenas melhorar o rendimento familiar, de modo a pôr na mesa o sustento da família e sonhar com melhores dias para os filhos.
Pois é, a cidade cresceu, e a outrora "República de São Bernardo" dá lugar a uma pujante cidade onde proliferam cursos superiores, tendência já delineada nos tempos do movimento sindicalista, então liderado pelo homem que hoje comanda a Nação. Grandes homens se fizeram à margem dos bancos escolares, mas nunca desprezando o saber, o conhecimento, a cultura do seu povo.
Em sua coluna na Folha de S. Paulo, o jornalista e escritor Ruy Castro dá nome à loura agredida por universitários enfurecidos: Geyse. Ela foi e é perseguida por ostentar a modernidade que os demais sequer sabem como expressar. Castro diz ter saudades daqueles anos de 1967, "quando nós, os rapazes do 1º ano do curso de ciências sociais da FNFi (Faculdade Nacional de Filosofia), no Rio, víamos com muito prazer o fato de que a maioria das meninas da turma ia de minissaia à aula".
"Não eram minissaias sóbrias, a menos de um palmo do joelho, como o vestido de Geyse. Eram muito mais curtas. E nenhuma das moças, por mais bonita, fazia aquilo para provocar. Elas eram modernas, liberadas e gostavam de namorar". E ele acrescenta que elas só namoravam quem elas queriam. Lutar? Só contra a ditadura militar, que lhes salpicava coxas e canelas com pequenos cortes dos estilhaços espalhados pelas bombas de "efeito moral", ao contrário dos rapazes que, de calças jeans, tinham as pernas protegidas...
Depois veio o período de trevas de 1968, que parece rondar a cabeça de quem sonha com o totalitarismo da moda quarenta anos depois.
O enfrentamento, com graça e coragem, segundo Castro, não tirou das moças o perfil de seriedade de estudantes dedicadas, que completaram seus cursos. "Muitas pagaram o preço [da luta contra os militares], na forma de prisão, tortura, exílio ou morte de alguém próximo (...) mas se tornaram respeitadas em suas carreiras".
A que carreiras estarão encaminhando seus cursos os agressores de Geyse?
Pois é, a cidade cresceu, e a outrora "República de São Bernardo" dá lugar a uma pujante cidade onde proliferam cursos superiores, tendência já delineada nos tempos do movimento sindicalista, então liderado pelo homem que hoje comanda a Nação. Grandes homens se fizeram à margem dos bancos escolares, mas nunca desprezando o saber, o conhecimento, a cultura do seu povo.
Em sua coluna na Folha de S. Paulo, o jornalista e escritor Ruy Castro dá nome à loura agredida por universitários enfurecidos: Geyse. Ela foi e é perseguida por ostentar a modernidade que os demais sequer sabem como expressar. Castro diz ter saudades daqueles anos de 1967, "quando nós, os rapazes do 1º ano do curso de ciências sociais da FNFi (Faculdade Nacional de Filosofia), no Rio, víamos com muito prazer o fato de que a maioria das meninas da turma ia de minissaia à aula".
"Não eram minissaias sóbrias, a menos de um palmo do joelho, como o vestido de Geyse. Eram muito mais curtas. E nenhuma das moças, por mais bonita, fazia aquilo para provocar. Elas eram modernas, liberadas e gostavam de namorar". E ele acrescenta que elas só namoravam quem elas queriam. Lutar? Só contra a ditadura militar, que lhes salpicava coxas e canelas com pequenos cortes dos estilhaços espalhados pelas bombas de "efeito moral", ao contrário dos rapazes que, de calças jeans, tinham as pernas protegidas...
Depois veio o período de trevas de 1968, que parece rondar a cabeça de quem sonha com o totalitarismo da moda quarenta anos depois.
O enfrentamento, com graça e coragem, segundo Castro, não tirou das moças o perfil de seriedade de estudantes dedicadas, que completaram seus cursos. "Muitas pagaram o preço [da luta contra os militares], na forma de prisão, tortura, exílio ou morte de alguém próximo (...) mas se tornaram respeitadas em suas carreiras".
A que carreiras estarão encaminhando seus cursos os agressores de Geyse?
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
A loura, a minissaia e o espanto!
A minissaia já é cinquentona e ainda provoca espanto. Quando surgiu provocava uma certa aflição, estampada nos olhares atônitos de jovens que seguiam longas pernas ou nem tanto, que passavam...atraentes, provocantes, empolgantes, que faziam empolgados rapazes arriscarem-se a um galanteio, daqueles que não dá pra segurar...Criada numa cidade de clima frio, era acompanhada de coloridas meias de lã. Nas cidades de clima quente, o sucesso foi imediato. De primeira foi utilizada pela galera mais descolada no mundo da moda e, sobretudo, no trato social mais liberado, caindo em seguida nas graças da geral, que começou a encontrar variadas maneiras de apresentação cada vez mais ousadas.
Nas cidades praianas ou de frente para rios, pode-se dizer que foi como se aquela vestimenta já estivesse pronta na cabeça das pessoas, de tão natural o uso de roupa curta em locais quentes e de beira de praia. De mar ou de rio. Nas cidades "sem frente" sempre houve certa reserva para vestimentas mais arrojadas, pois o próprio ambiente torna o trato social algo mais fechado. Coisa para sociólogos de plantão. Mas a realidade da facilidade, da graça e da beleza da minissaia se firmou ao longo do tempo. E mesmo manifestações públicas de desaprovação, que chegaram a agressões a algumas arrojadas moças pareciam coisa de um passado enterrado e esquecido.
Mas qual!!!
Semana passada, mês de outubro desta primeira década do terceiro milênio, século XXI, pasmem! Uma garota jovem, loura, bonita, foi perseguida dentro do campus de uma faculdade em Sampaulo...Isso mesmo: a metrópole que se pretende a noviorque brasileira tem dessas coisas. Um escracho. A loura de olhos verdes abusou. A beleza, como disse o poetinha, é fundamental...mas tem que pagar seu preço, complementa a juventude irada dessa escolinha...Sim, escolinha. Afinal, a instituição é avaliada pelo que mostram seus alunos e egressos. Se uma garota é agredida, se não pode circular livremente no pátio interno de uma escola, esta é uma escolinha. Não a do professor Raimundo, pois lá as beldades circulam livremente. Mas a loura de minissaia teve a ousadia de sair da sala de aula e ir ao banheiro. Lá foi alcançada por duas dezenas de garotas, sim garotas, que tentaram obrigá-la a vestir calças compridas...Estavam, certamente, desconcertadas pela atração que a loura provocava, e exigiam que ela fosse embora. Alunos em geral se aproximaram. Queriam tocar na loura, fotografar...seu rosto, pernas e, pasmem novamente, até por debaixo da minissaia...Um professor deu proteção à loura, levou-a à sala. Os alunos começaram a chutar a porta e a exigir que o professor "deixasse a moça com eles"...Claro que, no meio disso tudo, os impropérios rolavam soltos. A polícia foi chamada e a loura deixou a escola escoltada.
A loura, em soluços, disse à reportagem que jamais imaginaria cena destas numa faculdade, onde as pessoas se apresentam para melhorar conhecimentos, aprender a se relacionar harmonicamente com o diferente, a ser, enfim, uma pessoa melhor. Disse ainda que utiliza transporte público diariamente vestindo minissaia. Recebe muitos galanteios, ouve assovios, mas nunca agressões...
É...nesses bancos de escola em que a preocupação com a nota e o vale-tudo profissional leva vantagem sobre as relações, sobre as condições, sobre o respeito, sobre o convívio, sobre a vida com livre arbítrio de cada um, os aprenderes possíveis são somente aqueles que movem os sentimentos de grupos, grupelhos, gangues...sobretudo dos ressentidos, sem auto-estima suficiente para fazer o que lhes dá na telha, pois não têm coragem de destoar da gangue. E demonstram que, na realidade, o que a loura mostrou foi algo muito além das pernas, foi a pequenez da alma de cada uma daquelas pessoas que se sentiram agredidas por tamanha desfaçatez de alguém se apresentar sem temor do ridículo que é a opinião alheia sobre a vida pessoal de alguém. Talvez, nessa escolinha, e não apenas, esteja na hora de uma lida rápida nos escritos de Hannah Arendt, em "A condição humana", pois é do desrespeito com o diferente que brota o autoritarismo latente em cada mente que pretende uniformizar comportamentos.
Nas cidades praianas ou de frente para rios, pode-se dizer que foi como se aquela vestimenta já estivesse pronta na cabeça das pessoas, de tão natural o uso de roupa curta em locais quentes e de beira de praia. De mar ou de rio. Nas cidades "sem frente" sempre houve certa reserva para vestimentas mais arrojadas, pois o próprio ambiente torna o trato social algo mais fechado. Coisa para sociólogos de plantão. Mas a realidade da facilidade, da graça e da beleza da minissaia se firmou ao longo do tempo. E mesmo manifestações públicas de desaprovação, que chegaram a agressões a algumas arrojadas moças pareciam coisa de um passado enterrado e esquecido.
Mas qual!!!
Semana passada, mês de outubro desta primeira década do terceiro milênio, século XXI, pasmem! Uma garota jovem, loura, bonita, foi perseguida dentro do campus de uma faculdade em Sampaulo...Isso mesmo: a metrópole que se pretende a noviorque brasileira tem dessas coisas. Um escracho. A loura de olhos verdes abusou. A beleza, como disse o poetinha, é fundamental...mas tem que pagar seu preço, complementa a juventude irada dessa escolinha...Sim, escolinha. Afinal, a instituição é avaliada pelo que mostram seus alunos e egressos. Se uma garota é agredida, se não pode circular livremente no pátio interno de uma escola, esta é uma escolinha. Não a do professor Raimundo, pois lá as beldades circulam livremente. Mas a loura de minissaia teve a ousadia de sair da sala de aula e ir ao banheiro. Lá foi alcançada por duas dezenas de garotas, sim garotas, que tentaram obrigá-la a vestir calças compridas...Estavam, certamente, desconcertadas pela atração que a loura provocava, e exigiam que ela fosse embora. Alunos em geral se aproximaram. Queriam tocar na loura, fotografar...seu rosto, pernas e, pasmem novamente, até por debaixo da minissaia...Um professor deu proteção à loura, levou-a à sala. Os alunos começaram a chutar a porta e a exigir que o professor "deixasse a moça com eles"...Claro que, no meio disso tudo, os impropérios rolavam soltos. A polícia foi chamada e a loura deixou a escola escoltada.
A loura, em soluços, disse à reportagem que jamais imaginaria cena destas numa faculdade, onde as pessoas se apresentam para melhorar conhecimentos, aprender a se relacionar harmonicamente com o diferente, a ser, enfim, uma pessoa melhor. Disse ainda que utiliza transporte público diariamente vestindo minissaia. Recebe muitos galanteios, ouve assovios, mas nunca agressões...
É...nesses bancos de escola em que a preocupação com a nota e o vale-tudo profissional leva vantagem sobre as relações, sobre as condições, sobre o respeito, sobre o convívio, sobre a vida com livre arbítrio de cada um, os aprenderes possíveis são somente aqueles que movem os sentimentos de grupos, grupelhos, gangues...sobretudo dos ressentidos, sem auto-estima suficiente para fazer o que lhes dá na telha, pois não têm coragem de destoar da gangue. E demonstram que, na realidade, o que a loura mostrou foi algo muito além das pernas, foi a pequenez da alma de cada uma daquelas pessoas que se sentiram agredidas por tamanha desfaçatez de alguém se apresentar sem temor do ridículo que é a opinião alheia sobre a vida pessoal de alguém. Talvez, nessa escolinha, e não apenas, esteja na hora de uma lida rápida nos escritos de Hannah Arendt, em "A condição humana", pois é do desrespeito com o diferente que brota o autoritarismo latente em cada mente que pretende uniformizar comportamentos.
sábado, 3 de outubro de 2009
Berlim 1936 e 2009 - o alemãozão e o alemãozinho
A prova dos cem metros rasos tem um valor especial, é considerada a rainha que coroa uma competição de atletismo. Numa Olimpíada, é das mais esperadas. Foi assim em 1936 numa Berlim tomada pelo nazismo, que tinha por meta coroar um atleta de nacionalidade alemã, raça que se pretendia estabelecer como superior pelo empertigado chefe do governo e do exército. Plano frustrado. O alemãozão, chefão do nazismo, que se preparava para ir à pista cumprimentar seu atleta sai do estádio às pressas para não ter que cumprimentar um negro norte-americano que cravou exatos dez segundos e vinte centésimos para receber a medalha de ouro. Jesse Owens, o negro que fez história, deixou mudo o estádio de Berlim, mas sorriu satisfeito...
Novamente, nesse mesmo estádio, campeonato mundial de atletismo de 2009, outro negro, sorridente, jamaicano, estabelece nova marca para a clássica prova dos cem metros rasos: nove segundos e 58 centésimos. Usain Bolt abre o largo sorriso e um estilo pessoal de comemoração, com as duas mãos em diagonal e o dedo indicador apontando para o céu. Na arquibancada do estádio de Berlim, aplausos. E um alemãozinho, carapintada com as cores da bandeira da Jamaica, agitando uma bandeirinha com o nome de Bolt. Novos tempos. Seria o novo homem, como previra Nietzsche?
Novamente, nesse mesmo estádio, campeonato mundial de atletismo de 2009, outro negro, sorridente, jamaicano, estabelece nova marca para a clássica prova dos cem metros rasos: nove segundos e 58 centésimos. Usain Bolt abre o largo sorriso e um estilo pessoal de comemoração, com as duas mãos em diagonal e o dedo indicador apontando para o céu. Na arquibancada do estádio de Berlim, aplausos. E um alemãozinho, carapintada com as cores da bandeira da Jamaica, agitando uma bandeirinha com o nome de Bolt. Novos tempos. Seria o novo homem, como previra Nietzsche?
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
R$ 0,01 ou simplesmente:um centavo
Já pensou como os bancos enriquecem?
Fora tooodas as questões que dizem respeito a investimentos com dinheiro dos outros (nosso) e, acima de tudo, isenção de impostos (são livres da Receita Federal, o famigerado Leão), cobram taxas pra ficar com o dinheiro. Pode ser o dinheirão dos megacapitalistas ou o dinheirinho, dos assalariados, que não têm pra onde correr, e deixam o salário depositado no banco, sacando aos pouquinhos, fazendo um cheque aqui e ali pra pagar esta e aquela conta...e considerando que está ´ficando bem com a gerência´ deixando um pouco de dinheiro disponível sem utilizar........Ledo (e Ivo) engano.
Isso é o que acontece nas redes mais famosas daqui de Belém, como Lojas Americanas e Big Ben, um conglomerado de farmácias que jamais te dá troco entre R$0,01 e R$0,03.. A partir daí, te dá R$0,05; assim como a partir de R$0,06 a R$0,07. Depois disso, nada! Quer dizer, as lojas de departamento e as farmácias estão atuando como coletadores de dinheiro que a população (consumidores) tem direito.
Quanto aos bancos, é assim mesmo: tirando aqui e ali as taxas de utilização diária dos serviços (???) que prestam aos correntistas...os banqueiros enriquecem astronomicamente, gozando das taxas que eles mesmos atribuem, e que ninguém controla. Se alguém controla, rapidamente é controlado. Por isso, ficamos irados com a greve dos bancários que, de novo, nos deixa na mão.
Ficamos sem poder sacar o que, de fato, é nosso. Ficamos sem poder pagar as contas que, de fato, nem queríamos pagar, mas se atrasarmos será muuuito pior. Aliado a isso tudo, tem a greve dos trabalhadores nos correios...Sinceramente, é dose!
Quer dizer: não conseguimos sacar o dinheiro. Não recebemos as contas. Não pagamos. Ficamos no débito e, então, quando tudo estiver liberado, teremos que pagar taxas e juros absurdos que não temos como controlar. Os bancários, se obtiverem o que pleiteiam, nem vão querer saber de nós, que estaremos à frente do caixa (aliás, das filas dos caixas) para tentar pagar aqueeeela conta! Ah!, sim existem os caixas automáticos; os serviços pela Internet etc e tal...Alguém aí conseguiu falar com um atendente de algum BANKFONE que tenha dado seqüência à ligação??? Ééé, todos eles diziam não estar escutando o que dizíamos do outro lado da linha. LINDO, NÃO??? Será que algum desses bancários já pensou que PODERIA SER A MÃE DELE tentando sacar a surrada aposentadoria???
Fora tooodas as questões que dizem respeito a investimentos com dinheiro dos outros (nosso) e, acima de tudo, isenção de impostos (são livres da Receita Federal, o famigerado Leão), cobram taxas pra ficar com o dinheiro. Pode ser o dinheirão dos megacapitalistas ou o dinheirinho, dos assalariados, que não têm pra onde correr, e deixam o salário depositado no banco, sacando aos pouquinhos, fazendo um cheque aqui e ali pra pagar esta e aquela conta...e considerando que está ´ficando bem com a gerência´ deixando um pouco de dinheiro disponível sem utilizar........Ledo (e Ivo) engano.
Isso é o que acontece nas redes mais famosas daqui de Belém, como Lojas Americanas e Big Ben, um conglomerado de farmácias que jamais te dá troco entre R$0,01 e R$0,03.. A partir daí, te dá R$0,05; assim como a partir de R$0,06 a R$0,07. Depois disso, nada! Quer dizer, as lojas de departamento e as farmácias estão atuando como coletadores de dinheiro que a população (consumidores) tem direito.
Quanto aos bancos, é assim mesmo: tirando aqui e ali as taxas de utilização diária dos serviços (???) que prestam aos correntistas...os banqueiros enriquecem astronomicamente, gozando das taxas que eles mesmos atribuem, e que ninguém controla. Se alguém controla, rapidamente é controlado. Por isso, ficamos irados com a greve dos bancários que, de novo, nos deixa na mão.
Ficamos sem poder sacar o que, de fato, é nosso. Ficamos sem poder pagar as contas que, de fato, nem queríamos pagar, mas se atrasarmos será muuuito pior. Aliado a isso tudo, tem a greve dos trabalhadores nos correios...Sinceramente, é dose!
Quer dizer: não conseguimos sacar o dinheiro. Não recebemos as contas. Não pagamos. Ficamos no débito e, então, quando tudo estiver liberado, teremos que pagar taxas e juros absurdos que não temos como controlar. Os bancários, se obtiverem o que pleiteiam, nem vão querer saber de nós, que estaremos à frente do caixa (aliás, das filas dos caixas) para tentar pagar aqueeeela conta! Ah!, sim existem os caixas automáticos; os serviços pela Internet etc e tal...Alguém aí conseguiu falar com um atendente de algum BANKFONE que tenha dado seqüência à ligação??? Ééé, todos eles diziam não estar escutando o que dizíamos do outro lado da linha. LINDO, NÃO??? Será que algum desses bancários já pensou que PODERIA SER A MÃE DELE tentando sacar a surrada aposentadoria???
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Um novo Curso de Jornalismo
Diante das manifestações recentes contra a atividade jornalística no País, necessário é uma reflexão sobre o tema. Considero que o momento é preocupante, não somente para a atividade acadêmica na formação dos futuros profissionais, senão para a atividade jornalística como representante efetiva do Quarto Poder, considerando-se sua aplicação como antena a irradiar para a sociedade como um todo os fazeres e desfazeres de um governo em suas três categorias de representatividade, quais sejam: Executivo; Legislativo e Judiciário.
Diante disso, o que vimos conferindo é uma constante tentativa de desvalorização da atividade jornalística, como até mesmo um aceno a uma deplorável censura prévia, inaceitável numa sociedade que se diz viver em estado pleno de direito. Num período inferior a 90 dias foram dois golpes certeiros, com toda a conotação de terem sido adrede preparados: 1) O ministro presidente do STF- Supremo Tribunal Federal, acaba com a obrigatoriedade de diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista. E compara a atividade à preparação de alimentos numa cozinha industrial, onde há um chef e um cozinheiro. O primeiro pode ter feito cursos especializados sobre a atividade culinária, e o segundo pode ter aprendido seu ofício apenas como olheiro, que faz aqui e ali seus experimentos. Pois bem: para o cabeção do STF, a ele não importa quem tenha preparado a comida, desde que atenda ao paladar do faminto; 2) Um procurador de Justiça baixa uma ordem contra um jornal de circulação nacional, proibindo que ele divulgue qualquer notícia sobre uma investigação que é realizada contra o filho empresário do presidente do Senado Federal. Note-se: proíbe que o jornal cite a investigação, o processo, e até mesmo o nome do filho do maioral do Congresso. E esse maioral, que é dono de jornal, televisão e emissoras de rádio, faz discurso no Senado (na 3ª feira, 15.09.2009) para dizer que a mídia faz campanha contra os parlamentares, arrogando para si o status de representante da sociedade. O maioral do Senado utiliza um palavreado irônico e cheio de aleivosias, demonstrando uma intenção de que é preciso frear esse ímpeto da mídia, dizendo que eles, os parlamentares, tratam tudo às claras, “à luz do dia”, e que são eles os verdadeiros representantes do povo. E estão sendo massacrados...
É ou não é para pôr as barbas de molho?
Diante disso, o que vimos conferindo é uma constante tentativa de desvalorização da atividade jornalística, como até mesmo um aceno a uma deplorável censura prévia, inaceitável numa sociedade que se diz viver em estado pleno de direito. Num período inferior a 90 dias foram dois golpes certeiros, com toda a conotação de terem sido adrede preparados: 1) O ministro presidente do STF- Supremo Tribunal Federal, acaba com a obrigatoriedade de diploma de nível superior para o exercício da profissão de jornalista. E compara a atividade à preparação de alimentos numa cozinha industrial, onde há um chef e um cozinheiro. O primeiro pode ter feito cursos especializados sobre a atividade culinária, e o segundo pode ter aprendido seu ofício apenas como olheiro, que faz aqui e ali seus experimentos. Pois bem: para o cabeção do STF, a ele não importa quem tenha preparado a comida, desde que atenda ao paladar do faminto; 2) Um procurador de Justiça baixa uma ordem contra um jornal de circulação nacional, proibindo que ele divulgue qualquer notícia sobre uma investigação que é realizada contra o filho empresário do presidente do Senado Federal. Note-se: proíbe que o jornal cite a investigação, o processo, e até mesmo o nome do filho do maioral do Congresso. E esse maioral, que é dono de jornal, televisão e emissoras de rádio, faz discurso no Senado (na 3ª feira, 15.09.2009) para dizer que a mídia faz campanha contra os parlamentares, arrogando para si o status de representante da sociedade. O maioral do Senado utiliza um palavreado irônico e cheio de aleivosias, demonstrando uma intenção de que é preciso frear esse ímpeto da mídia, dizendo que eles, os parlamentares, tratam tudo às claras, “à luz do dia”, e que são eles os verdadeiros representantes do povo. E estão sendo massacrados...
É ou não é para pôr as barbas de molho?
Assinar:
Postagens (Atom)